Diplomata iraniano diz que foi torturado por agentes da CIA

O diplomata iraniano Yalal Sharafi, seqüestrado em Bagdá em fevereiro, e libertado na última terça-feira, 4, afirmou neste domingo, 8, que foi torturado por agentes da CIA no Iraque, segundo informou a agência de notícias iraniana "Fars".Sharafi, segundo-secretário da Embaixada do Irã no Iraque, relacionou seu seqüestro a "forças americanas e seus colaboradores de uma organização (de segurança) iraquiana" em Bagdá."Fui seqüestrado por agentes que portavam carteiras de identidade do Ministério iraquiano de Defesa, quando estava fazendo compras dentro de uma loja em uma rua de Bagdá", disse Sharafi, que foi libertado e repatriado a Teerã na última quarta-feira.Além disso, o diplomata afirmou que "os seqüestradores o transferiram, dentro de um dos conhecidos veículos americanos, a um quartel próximo ao aeroporto de Bagdá"."Depois fui interrogado por alguns agentes que falavam árabe, e outros que falavam inglês", disse Sharafi. Ele disse que foi questionado sobre a influência iraniana no Iraque, e especialmente sobre a ajuda iraniana ao Governo de Bagdá, controlado pelos xiitas, e às milícias ativas no território iraquiano."Quando ouviram minhas respostas sobre as relações oficiais do Irã com o Iraque, as autoridades iraquianas começaram a me torturar", frisou.Sharafi, que segundo a "Fars" mostrou sinais de tortura em seu corpo, e está recebendo tratamento médico no Irã, reiterou que sua libertação foi resultado da continua pressão das autoridades iraquianas."Me deixaram próximo ao aeroporto de Bagdá, e consegui voltar à embaixada do Irã com a ajuda do povo", disse.O diplomata iraniano havia sido seqüestrado no dia 4 de fevereiro, no centro de Bagdá, por homens com uniformes do 36º batalhão do Comando do Exército Iraquiano, um grupo de elite que trabalha sob a supervisão das forças americanas.Pouco depois do seqüestro, o porta-voz do Ministério de Exteriores iraniano, Mohamad Ali Hosseini, acusou os EUA de estarem por trás da ação, e afirmou que os oficiais, dentro de veículos potentes, interceptaram o diplomata no centro da capital, próximo à filial do banco iraniano Melli.

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