Carlos Barria / AFP
Carlos Barria / AFP

Diplomatas afirmam que Irã e potências mundiais chegaram a acordo provisório

Negociadores teriam chegado a um entendimento sobre quais sanções serão relaxadas e quando

O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2015 | 12h41

VIENA - Potências mundiais e o governo iraniano alcançaram um acordo provisório sobre relaxamento das sanções ao Irã em meio aos esforços para um acordo nuclear de longo prazo que os negociadores esperam firmar nos próximos dias. A informação foi dada à Associated Press por diplomatas, que não se identificaram, pois não tinham autorização para falar publicamente. 

Em um dos cinco anexos que deve acompanhar o acordo, são detalhadas quais as sanções que os Estados Unidos e outros países deverão retirar e em que prazo. Diplomatas afirmam que o texto ainda precisa da assinatura de autoridades das seis nações em negociação, incluindo a do secretário de Estado americano, John Kerry, e a do ministro de Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif. 

Ainda assim, a afirmação é a de que há significativo progresso e as partes estão chegando mais perto de um acordo que definiria uma década de restrições no programa nuclear iraniano em troca de dezenas de bilhões de dólares em benefícios econômicos ao Irã. 

Autoridades já haviam descrito o relaxamento das sanções como um dos pontos de maior discordância entre Irã e Estados Unidos, país que liderou a campanha de pressão internacional contra a economia iraniana. 

Os diplomatas afirmaram que o anexo sobre as sanções foi completado esta semana por especialistas do Irã e de seis potências mundiais envolvidas nas negociações: Estados Unidos, Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia. Eles não deram detalhes sobre o acordo.

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, Yukiya Amano, afirmou neste sábado que espera concluir sua investigação sobre as alegações de que o Irã vinha mantendo um programa secreto de armas nucleares até o final do ano. A jornalistas Amano afirmou, porém, que precisará da cooperação de Teerã. 

Os Estados Unidos e seus parceiros internacionais alegam que o Irã precisa dar mais informações sobre suas atividades nucleares no passado como parte do processo de firmar um acordo nuclear definitivo entre o Irã e seis potências globais. Tal acordo é esperado para 7 de julho. Autoridades ocidentais acreditam que o Irã trabalhou no desenvolvimento de armas nucleares no passado, o que Teerã nega. 

Apesar das promessas de cooperar com a agência da ONU, o Irã tem adiado o momento de oferecer explicações sobre atividades no passado. A alegação é de que as evidências por trás das preocupações da AIEA são forjadas e que uma investigação aberta poderia prejudicar um acordo atual. 

Buscando sair do impasse, Amano viajou ao Irã na quinta-feira para encontrar o presidente Hasan Rohani e outras autoridades. Ele disse na sexta-feira que a viagem abriu caminhos, mas mais trabalho precisa ser feito.

Amano elogiou o "progresso" nas conversas com o Irã. "Com a cooperação do Irã, acredito que posso publicar um relatório até o final do ano com esclarecimentos sobre os problemas relatados a respeito de possíveis dimensões militares", disse o diretor. 

A AIEA busca respostas para 12 questões levantadas em 2011 sobre os trabalhos nucleares do Irã no passado, com base em evidências que sugerem que o país estava desenvolvendo tecnologia para armas nucleares. A agência afirma que, apesar de cooperação promissora em novembro de 2013, o Irã até o momento respondeu apenas parcialmente duas dessas questões./ AP e Dow Jones Newswires.

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