Diplomatas apontam violência de opositores

Milícias fortemente armadas já teriam matado vários soldados e seriam um entrave às reformas no país

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2011 | 00h00

NOVA YORK

Aos poucos, a imagem de protestos pacíficos nos moldes da Praça Tahrir, no Cairo, deixa de ser associada a boa parte dos manifestantes na Síria. Entre os opositores, há milícias armadas que vêm atacando integrantes das forças governamentais.

Diplomatas de países integrantes do Conselho de Segurança da ONU e consultorias de risco político afirmam que essas milícias têm agido violentamente e seriam responsáveis por mortes de soldados, policiais e mesmo civis. Não está claro o número de vítimas dessas organizações, apesar de o regime de Damasco falar em cerca de 500 pessoas mortas.

A preocupação com a violência motivou até mesmo a inclusão de menções a esse tipo de violência no comunicado do encontro de enviados do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) com o presidente Bashar Assad, na quarta-feira. As ações desses grupos também foram citadas na declaração presidencial do Conselho de Segurança da ONU, há dez dias.

EUA e União Europeia evitam tocar na questão da violência dos opositores em suas declarações públicas, preferindo se concentrar nas ações do regime de Assad. Já Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul fazem referências às milícias opositoras. O embaixador russo na ONU disse até mesmo que a oposição tem sido um obstáculo para o avanço das reformas na Síria.

O consenso, segundo um diplomata do CS, é que o regime de Assad tem sido bem mais violento. Organizações de direitos humanos falam em até 2 mil mortos. Mas há o outro lado, muitas vezes ignorado, que preocupa nações vizinhas, como Israel, Turquia e Líbano. "Essa será uma luta sangrenta e árdua e não é algo para o qual os turcos estão preparados", disse Reva Bhalla, da consultoria Stratfor. "Outro país que não está preparado para a transição é Israel. O regime sírio pode ser hostil, mas era previsível."

Sauditas. A posição da Arábia Saudita, suspeita de ter enviado armas para a oposição, parece incerta, segundo Ayham Kamel, da consultoria Eurasia. "Riad ainda não tomou uma posição, apesar de ter retirado seu embaixador de Damasco. O temor é o de que a situação se transforme um confronto regional."

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