Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Diplomatas brasileiros em Caracas vão ignorar ordens de Maduro, diz chanceler

Segundo Ernesto Araújo, representantes do País continuarão na Venezuela, mas responderão ao presidente interino, Juan Guaidó

Jamil Chade, Enviado especial a Davos / Suíça, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 06h37

DAVOS, SUÍÇA - Num gesto diplomático de apoio a Juan Guaidó, o Itamaraty orientou seus diplomatas em Caracas a responder apenas ao presidente da Assembleia Nacional, considerado desde quarta-feira, 23, como a única autoridade venezuela legítima e reconhecida pelo Brasil. 

Ao Estado, o chanceler Ernesto Araújo indicou que não vai retirar da Venezuela os diplomatas brasileiros. “Eles ficam”, disse na manhã desta quinta-feira, 24, em Davos, na Suíça. Outra orientação, segundo ele, seria a manter contatos apenas com a equipe de Guaidó. 

Diante do fim do reconhecimento do governo de Nicolás Maduro por diversos governos latino-americanos, Caracas deu 72 horas para a diplomacia dos EUA se retirar do país. A Casa Branca, porém, indicou que as ordens de Maduro não tinham efeito. 

O Estado obteve uma carta assinada pelo próprio Guaidó e enviada a todas as embaixadas estrangeiras em Caracas. Nela, o presidente da Assembleia afirma que “deseja firmemente que mantenham sua presença diplomática em nosso país”. 

Ele também alerta aos governos estrangeiros a ignorar as ordens de Maduro. “Peço que desconheçam qualquer ordem ou disposição que contradiga o firme propósito do poder legítimo da Venezuela, que em virtude da Constituição, ostento, de que as missões diplomáticas, chefes de missões e todos seus funcionários continuem operando na Venezuela com normalidade e que se respeitem todas as imunidade e privilégios”, escreveu. 

“Qualquer disposição contrária careceria de validade, já que emanaria de pessoas ou entidades que, por seu caráter usurpatório, não tem autoridade legítima para pronunciar-se a respeito”, completou Guaidó. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.