Diplomatas da Líbia debandam em protesto

Diplomatas da missão da Líbia na ONU repudiaram publicamente a repressão levada a cabo pelo coronel Muamar Kadafi e romperam formalmente com o regime. Ibrahim Dabbashi, o número 2 da representação de Trípoli e líder da debanda, foi direto ao falar a repórteres no saguão do prédio das Nações Unidas, em Nova York: "Certamente o que está ocorrendo agora na Líbia é um crime contra a humanidade e um crime de guerra."

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

Dezenas de integrantes da missão líbia na ONU postaram-se ao lado do diplomata enquanto ele fala a jornalistas.

O embaixador de Trípoli na Índia, Ali al-Essawi, e um diplomata líbio que servia em Pequim também renunciaram ontem em protesto.

Acusações. Em entrevista à rede de TV do Catar Al-Jazira, o segundo secretário da Embaixada da Líbia na China, Hussein Sadiq al-Musrati, conclamou outros diplomatas a seguirem seus passos.

A representação líbia confirmou a renúncia de al-Musrati, que pediu a intervenção das Forças Amadas.

Poucas horas depois de a decisão do diplomata na China ser divulgada, o embaixador líbio na Índia anunciava sua renúncia em entrevista ao serviço em árabe da rede britânica BBC.

Os que atendiam ao telefone ontem na representação líbia em Nova Délhi não confirmavam nem desmentiam a informação e diziam que o embaixador estava fora de seu escritório.

Em suas declarações, al-Essawi acusou o governo Kadafi de usar mercenários estrangeiros contra os manifestantes líbios.

Na mesma entrevista em que anunciou sua renúncia, o diplomata que servia em Pequim disse que há uma disputa armada entre os filhos de Kadafi e observou que o ditador pode ter deixado a Líbia - a Al-Jazira ressaltou que não havia conseguido confirmar as informações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.