Diplomatas expulsos tiram crise econômica do noticiário

LOS ANGELES TIMES - A expulsão pelo presidente Nicolás Maduro de três diplomatas americanos, na segunda-feira, foi mais um sinal dos crescentes problemas que o governo da Venezuela enfrenta e das medidas extremas que está tomando para tentar desviar a atenção de seus apoiadores, segundo analistas. Num discurso comemorativo do 200.º aniversário de uma batalha revolucionária, no Estado ocidental de Falcón, Maduro disse que estava expulsando os adidos comerciais por supostamente se reunirem com figuras da oposição e "fazerem ações para sabotar o sistema de eletricidade".

CENÁRIO: Mery Mogollon e Chris Kaul, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2013 | 02h00

No mês passado, Maduro havia acusado adversários de extrema direita de sabotagem de uma linha de transmissão de alta voltagem que causou blecautes por todo o país. Desde então, blecautes se tornaram mais frequentes em Caracas e em outras partes da Venezuela.

Os venezuelanos vão às urnas em dezembro para eleger prefeitos e vereadores. Enquanto isso, os consumidores estão cada vez mais frustrados com os problemas econômicos, incluindo a escassez de bens de primeira necessidade e a inflação acima de 40%, a taxa mais alta na América do Sul.

A moeda nacional, o bolívar, se desvalorizou continuamente nas transações no mercado negro ao ponto de ser preciso até 42 bolívares para comprar um dólar, enquanto a taxa oficial é de 6,3 bolívares. A escassez de dólares causada, em parte, pelo endividamento crescente, significa que turistas e viajantes de negócios que queiram ir ao exterior não têm outra escolha senão pagar a taxa desvalorizada.

Na semana passada, Maduro viajou à China para negociar um empréstimo de US$ 5 bilhões. O economista Angel García Banchs disse que os empréstimos, que representam uma "compra futura" de petróleo venezuelano, são inconstitucionais porque transferem para a China direitos de propriedade de um recurso natural.

"Os empréstimos chineses são uma dívida ilegítima", disse Banchs. "De um ponto de vista econômico, porém, o problema não é tanto o empréstimo em si, mas a maneira como o governo usa os recursos, para financiar o consumo de bens importados, e não para aumentar a capacidade de produzir e exportar."

O Banco Central revelou, no mês passado, que as reservas estrangeiras haviam atingido o ponto mais baixo em nove anos. Na semana passada, o governo colombiano afirmou que a Venezuela pagaria por US$ 600 milhões em itens alimentícios não em dinheiro, mas em bônus venezuelanos em dólares.

As expulsões de diplomatas americanos não são novidade na Venezuela. Em 2008, o antecessor de Maduro, Hugo Chávez, expulsou o então embaixador americano Patrick Duddy e, em 2010, anunciou que não aceitaria Larry Palmer, o substituto designado de Duddy, em razão das críticas de Palmer em suas audiências de confirmação. Os Estados Unidos e a Venezuela não trocaram embaixadores desde então. "Fora da Venezuela! Yankees, go home!", disse Maduro sobre os diplomatas.

No mês passado, Maduro criticou o personagem Homem-Aranha por incitar a violência, o que, para muitos, lembrou as críticas de Chávez durante seu mandato ao costume americano do Halloween.

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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