Diplomatas líbios renunciam e aumentam pressão sobre Kadafi

Embaixador junto à Liga Árabe adere à revolução; representantes na China e Índia deixam os cargos

BBC Brasil, BBC

21 Fevereiro 2011 | 09h27

Vários diplomatas líbios no exterior renunciaram nesta segunda-feira, 21, a seus cargos, insatisfeitos com a maneira como o líder Muammar Kadafi reagiu à onda de protestos contra o governo no país.

 

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O embaixador líbio na Índia, Ali al-Issawi, disse à BBC que decidiu deixar o cargo em protesto contra o uso de violência por parte do governo e afirmou que mercenários estrangeiros foram mobilizados para atuar contra cidadãos líbios.

O embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à revolução, enquanto o embaixador líbio na China também renunciou. 

Nesta segunda-feira, o governo britânico chamou o embaixador líbio em Londres para uma reunião com o objetivo de expressar "a absoluta condenação" do uso de força contra manifestantes. O ministro do Exterior britânico, William Hague, também disse ter ligado para o filho do coronel Khadafi, Sayf al-Islam Khadafi, no domingo para demonstrar forte insatisfação com o rumo dos acontecimentos no país.

"A Grã-Bretanha está pedindo hoje o fim da violência e que o regime se comporte com humanidade e moderação."

Hague disse que a Líbia deve permitir a entrada de observadores internacionais no país para conduzir investigações sobre o uso de violência e pediu a abertura da internet no país, o fim da repressão a jornalistas e a proteção de cidadãos estrangeiros.

O regime comandado por Muammar Kadafi lançou uma dura campanha de repressão contra os protestos no país. Segundo dados de organizações médicas e de direitos humanos, mais de duzentas pessoas teriam morrido desde o início, na semana passada, das manifestações que pedem que Khadafi renuncie após passar mais de 40 anos no poder.

Um porta-voz do governo francês, François Baroin, disse a rádios francesas que a comunidade internacional precisa trabalhar para impedir que a situação na Líbia se torne ainda mais caótica.

"Estamos muito preocupados e chocados. Condenamos fortemente tudo o que está acontecendo, essa violência inacreditável. Isso pode levar a uma guerra civil extremamente violenta e longa", disse Baroin.

"Precisamos fazer o possível em nível diplomático e coordenar esforços com as posições dos Estados Unidos e da União Europeia para impedir uma crise."  Ministros do Exterior da UE disseram estar se preparando para uma possível evacuação de seus cidadãos da Líbia.

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