REUTERS/Khaled Abdullah
REUTERS/Khaled Abdullah

Diplomatas ocidentais abandonam o Iêmen

Sob tensão desde que xiitas chegaram ao poder, país tem dia de atos contra rebeldes; carros da embaixada dos EUA foram apreendidos

SANAA , O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 02h01

Estados Unidos, Grã-Bretanha e França fecharam ontem suas embaixadas no Iêmen depois de o movimento xiita houthi ter tomado o poder no país. Documentos e armas da representação americana foram destruídos e veículos diplomáticos foram apreendidos por soldados rebeldes depois que os funcionários deixaram o país.

O fechamento das embaixadas foi anunciado no momento em que rebeldes houthis, armados com rifles de assalto Kalashnikov e vestindo uniformes policiais e roupas civis, patrulhavam as principais avenidas da capital Sanaa, alguns em picapes com armas antiaéreas.

Segundo a Casa Branca, especialistas em contraterrorismo continuam no Iêmen para organizar a campanha contra militantes da Al-Qaeda na Península Arábica. Ainda de acordo com o Executivo americano, a decisão é temporária e ocorreu em razão dos riscos que a situação no Iêmen oferecia ao corpo diplomático.

Nas ruas do país, milhares de sunitas protestaram contra os rebeldes houthis, que tomaram o poder e dissolveram o Parlamento. Lojas fecharam e helicópteros sobrevoavam a cidade. Os houthis atacaram um desses protestos, esfaqueando e espancando manifestantes que tentavam chegar ao escritório local da ONU, informaram testemunhas. Os rebeldes detiveram várias pessoas.

Na cidade de Bayda, região central do país, também controlada pelos houthis, os rebeldes dispersaram outro protesto, ferindo um coordenador do movimento contrário ao grupo, de acordo com testemunhas. Em Taiz, a cidade mais populosa do Iêmen, que não foi tomada pelos grupo, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra o grupo.

Tensão. Na manhã de ontem, o ministro britânico para o Oriente Médio, Tobias Ellwood, pediu aos cidadãos do país que ainda estiverem no Iêmen que "saiam imediatamente", enquanto a embaixada retirava seus funcionários. A medida foi anunciada depois de o Departamento de Estado americano confirmar o fechamento da Embaixada EUA em Sanaa e a retirada de seu pessoal. A embaixada francesa será fechada amanhã.

"A situação de segurança no Iêmen continua a se deteriorar nos últimos dias", declarou Ellwood. "Infelizmente, julgamos que os funcionários e as instalações de nossa embaixada estão em risco crescente."

As missões diplomáticas de muitos países do Golfo Pérsico, que se opõem aos houthis, já retiraram seus funcionários do país. O Iêmen está em crise há meses, desde que os rebeldes xiitas iniciaram sua ofensiva, em setembro.

Na terça-feira, Abdel-Malek al-Houthi, líder dos rebeldes xiitas, advertiu seus inimigos que não ficassem no caminho de seu movimento e criticou governos estrangeiros. "Não aceitaremos pressões. Elas não têm utilidade", disse Al-Houthi . "Quem quer que prejudique os interesses deste país verá que seus interesses também serão prejudicados."/ AP

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