Diplomatas pressionam a Síria e general deserta o país

Os Estados Unidos e seus aliados pediram nesta sexta-feira por sanções globais contra a Síria, procurando aumentar o nível da pressão após a deserção de um dos principais generais sírios. Washington exortou nações pelo mundo a ajudarem no esforço de convencer a Rússia e China a forçar a saída do presidente Bassar Ashad.

AE, Agência Estado

06 de julho de 2012 | 09h58

O ministro de Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, afirmou que o general desertor Manaf Tlass está a caminho da França onde diplomatas dos chamados "Amigos da Síria" estão reunidos. A defecção de Tlass é vista como um importante golpe contra o regime de Assad. Ele é o oficial mais graduado a deixar o Exército sírio nos 16 meses de revoltas que tomam conta do país. Para Hassem Hashimi, membro do Conselho Nacional Sírio, de oposição ao governo, "a deserção de Tiass vai encorajar muitas pessoas a fazerem o mesmo."

A Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, está entre os representantes de cerca de 100 países reunidos em Paris para apoiar o plano de transição apresentado na semana passado pelo mediador da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan. Hillary pediu por "reais e imediatas consequências para o não cumprimento (do plano), incluindo sanções."

Mas com a ausência da Rússia e China, muito ainda depende de persuadir os dois países, que relutam em forçar Assad a aceitar um cessar-fogo e a estratégia de transição. "O que pode fazer cada nação e grupo representado aqui?", perguntou Hillary em Paris. "Eu peço a vocês para conversar com a Rússia e China, mas não apenas argumentando, mas também exigindo que eles saiam de cima do muro e comecem a apoiar as aspirações legítimas do povo sírio."

Frustrada pelas dificuldades da diplomacia internacional, a fragmentada oposição síria quer a realização de ações militares. "Estamos cansados de reuniões e prazos. Queremos ação", disse o ativista Osama Kayal, na cidade de Khan Sheikhoun, que está há dias sob fogo das forças sírias. Os diplomatas reunidos na França instaram a oposição na Síria a se unir.

Mas uma intervenção militar não está no horizonte imediato. Autoridades americanas afirmam que estão focando na pressão econômica, e o governo de Barack Obama diz que não vai considerar intervir com suas tropas ou prover os rebeldes com armas. Além disso, qualquer plano militar certamente seria barrado no Conselho de segurança da ONU por Moscou e Pequim.

Ativistas sírios afirmam que mais de 14 mil pessoas morreram desde que a revolta começou, em março de 2011. As informações são da Associated Press.

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