Diplomatas têm dificuldade em falar sobre aids

Desacostumados a falar abertamente sobre homossexualidade e prostituição, diplomatas de mais de 100 países têm dificuldade nas negociações sobre como tratar de maneira global a doença. Muitos países muçulmanos, que enxergam a homossexualidade como pecado a ser punido com pena de morte, não querem que "homens que fazem sexo com outros homens" seja listado como um grupo especificamente vulnerável e que precisa de proteção no documento da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre aids."Será que é preciso ser tão explícito?", perguntou o diplomata egípcio, Amr Rashdy. "Isso é muito chocante para minha sociedade."As reuniões a portas fechadas, descritas por alguns diplomatas como intensivamente frustrantes, passionais e raivosas, irão produzir um documento internacional para o encontro da ONU sobre HIV/aids a ser realizado entre os dias 25 e 27 de junho. O documento estabelecerá condutas que deverão ser seguidas por todos países, independemente das tradições religiosas e culturais. Mas muitos dizem que não será possível seguí-lo se alguns termos de linguagem permanecerem no texto de 19 páginas. Outros reclamam que a versão não será efetiva para combater a doença que já matou mais de 22 milhões de pessoas e atualmente infecta em torno de 36 milhões no mundo todo.Diplomatas ocidentais e especialistas na área de saúde alegam que o diplomata egípcio e outros, incluindo o Vaticano, estão ignorando a realidade da doença. "Nós queremos que este documento seja uam imagem precisa da aids, de como atacá-la, como prevenir da doença e para quem dirigir nossa atenção", disse o embaixador do Chile, Christian Maquieira.

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