Diplomatas tem pouco otimismo sobre negociações com Irã

O Irã não ofereceu concessões significativas sobre as principais questões nas negociações sobre o programa nuclear do país, afirmou um diplomata ocidental neste sábado, deixando as conversas em um aparente impasse, com menos de 72 horas para o fim do prazo. A falta de progresso significa que os EUA e seus parceiros podem agora ter dificuldades para formar um amplo acordo político com o Irã até segunda-feira.

AE, Estadão Conteúdo

22 de novembro de 2014 | 17h24

"Chegamos a um ponto nas negociações em que, provavelmente, não poderemos ter um acordo sem alguns movimentos muito significativos dos iranianos", disse o diplomata.

Autoridades dos EUA têm dito repetidamente que duvidavam que haveria grandes concessões do Irã nas negociações até o fim do prazo. O ministro francês de Relações Exteriores, Laurent Fabius, também disse, na semana passada, que um acordo político provavelmente só seria alcançado no último momento possível.

O diplomata reconheceu, porém, que "tudo ainda pode acontecer."

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, "poderia facilmente receber algumas instruções muito flexíveis... que nos permitiria fazer um acordo", disse a fonte. "A única coisa é que não podemos fazer o trabalho para os iranianos. E os iranianos devem se movimentar substancialmente, se quiserem que nós cheguemos a um acordo".

Um segundo diplomata ocidental descartou neste sábado a alegação de que nenhum progresso foi feito sobre questões importantes, mas afirmou que os avanços em muitos dos pontos mais difíceis foram pequenos.

O Irã e grupo conhecido como P5+1 - EUA, Reino Unido, França, Rússia, Alemanha e China - estão tentando chegar a um acordo que aliviaria as sanções contra o Irã, em troca de garantias claras de que Teerã não teria condições para produzir material suficiente para uma arma nuclear.

O diplomata disse que a posição do P5+1 é que o Irã deve estar a, pelo menos, um ano de distância de ter a capacidade para produzir material nuclear suficiente.

A falta de grandes progressos até segunda-feira deixaria os ministros de Relações Exteriores ocidentais com uma escolha política difícil. Eles poderiam solicitar uma prorrogação para as negociações, mas isso seria muito mais fácil de conseguir se pudessem mostrar que estão muito perto de um acordo.

Por outro lado, eles poderiam parar as negociações e retirar o alívio modesto a sanções que o Irã ganhou em um acordo provisório, em novembro de 2013. As autoridades iranianas deixaram claro que se as negociações fracassassem, eles intensificariam rapidamente o programa nuclear.

Muitos diplomatas ocidentais disseram que, embora uma extensão de negociações esteja longe de ser ideal, é preferível à alternativa, pois o acordo provisório do ano passado com o Irã congelou - e até mesmo reverteu - grande parte do programa nuclear de Teerã. Outros advertem, porém, que o acordo provisório permitiu que o Irã trabalhasse em tecnologia nuclear mais avançada, o que poderia reduzir significativamente o tempo necessário para produzir combustível nuclear suficiente para uma bomba. O Irã sempre afirmou que seu programa nuclear é para fins puramente pacíficos e civis. Fonte: Dow Jones Newswires.

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