Direita chilena revê estratégia após ficar sem candidato

Diante da crise que se instaurou entre os partidos conservadores do Chile na quarta-feira, com a renúncia do candidato da Aliança - coalizão governista que reúne as legendas União Democrática Independente (UDI) e Renovação Nacional (RN) -, a centro-direita poderá se dividir na votação de 17 de novembro, quando os chilenos elegerão o presidente, uma nova Câmara dos Deputados e a metade do Senado.

GUILHERME RUSSO, Agência Estado

21 de julho de 2013 | 09h17

De acordo com o cientista político e sociólogo Patricio Navias, da Universidade Diego Portales, com a derrota quase certa, a Aliança tem dois objetivos: não ser humilhada por uma votação presidencial avassaladora da centro-esquerda e conseguir o máximo de assentos no Parlamento, para manter-se dignamente na política do país. No âmbito da eleição presidencial, afirmou Navias, é melhor para os partidos conservadores ter um único candidato, o que concentraria mais votos para sua coalizão. Antes de renunciar, Longueira apareceu com 25% das intenções dos eleitores chilenos - Bachelet tinha 51% - na última pesquisa.

Para garantir mais assentos no Congresso, porém, segundo Navias, é melhor para a direita ter dois candidatos "que, em suas campanhas, apoiariam mais representantes". Segundo o analista, eles poderiam obter até "em torno de 50%" dos assentos em disputa. "Mas essa configuração tiraria a centro-direita de um eventual segundo turno."

"Ter dois candidatos à presidência significa que o gabinete (do presidente Sebastián Piñera, da RN) estaria quebrado, que se acabou a coalizão governante. Isso é muito negativo para os candidatos ao Parlamento", disse Tironi, apostando que a direita chilena optaria por apenas um concorrente para o Executivo, como pregou Piñera após a renúncia de Longueira. "No entanto, a direita vive dias febris. Isso (a decisão por um ou mais candidatos) muda a cada hora", afirmou.

O presidente chileno indicou sua ministra do Trabalho, Evelyn Matthei (UDI), para a disputa presidencial como a opção mais "razoável" para a candidatura única. O nome de Andrés Allamand (RN), ex-ministro da Defesa de Piñera, que perdeu para Longueira por pequena margem nas primárias da Aliança, também é cogitado.

Sergio Micco, cientista político e ex-deputado pela Concertação - a coalizão de centro-esquerda que governou o Chile desde a saída do ditador Augusto Pinochet, em 1990, até 2010 -, afirmou que "é muito difícil" para os conservadores chilenos optarem por um candidato único para a presidência em virtude de uma "crise de convivência" entre os políticos dos partidos que compõem a Aliança.

Além das desavenças internas entre os conservadores, Micco apontou a "baixa" mobilização dos eleitores da centro-direita nas primárias, disputadas no dia 30, em relação à coalizão da centro-esquerda, a Nova Maioria. Pouco mais de 800 mil pessoas votaram nas prévias da governista Aliança e, nas eleições para escolher o candidato da oposição, 2,1 milhões de chilenos participaram - 1,5 milhão escolhendo Bachelet como representante.

Micco concorda que "o lógico, para a direita chilena, é dar a derrota na disputa presidencial como favas contadas e reforçar as campanhas para o Parlamento". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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