Direita chilena se divide após Piñera sugerir candidata

Presidente chileno aposta em ministra do Trabalho para substituir Pablo Longueira, que desistiu de disputar eleição de novembro

SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h06

Um dia após a renúncia de Pablo Longueira, candidato que representaria a Aliança, coalizão de centro-direita chilena, nas eleições presidenciais de 17 de novembro, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, sugeriu o nome se sua ministra do Trabalho, Evelyn Matthei, para disputar a presidência do país. O posicionamento de Piñera provocou atrito entre os conservadores chilenos.

"Não acredito que este seja um tema competência de La Moneda (a sede do poder Executivo, em Santiago). É um assunto dos partidos políticos e dos setores independentes que sustentaram as campanhas (para as primárias disputadas em 30 de junho) durante todo esse tempo", disse ao jornal chileno El Mercurio o presidente da Renovação Nacional (RN), Carlos Larraín, cuja legenda compõe a Aliança, ao lado da União Democrática Independente (UDI).

"A Evelyn seria uma grande candidata", disse Piñera, também da RN, à emissora privada de TV Chilevisión.

Após o anúncio da renúncia do ultraconservador Longueira, Evelyn conversou com dirigentes da UDI e recebeu um telefonema de Piñera. Sua possível candidatura é apoiada por alguns parlamentares conservadores. Conhecida por um caráter forte e o uso de linguagem popular - incluindo ásperos insultos aos políticos com quem se antagoniza - já foi deputada e senadora.

Filha de Fernando Matthei, ex-comandante da Força Aérea chilena e membro da junta militar durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), Evelyn foi amiga de infância da ex-presidente socialista Michelle Bachelet - candidata novamente à presidência pela centro-esquerda chilena, também filha de um general de aviação.

Piñera ressaltou que os conservadores devem manter a opção por um candidato único em novembro, mesmo que para isso sejam organizadas novas primárias, e mencionou nomes de outros políticos para substituir o candidato que renunciou.

Para amenizar as críticas à indicação de sua ministra para a vaga, o presidente chileno afirmou que Andrés Allamand (RN), que perdeu as primárias da Aliança para Longueira por 2,75 pontos porcentuais, "sem duvida é um bom candidato". Para Piñera, outra "opção muito boa" seria Joaquín Lavín (UDI), que já atuou como ministro de Desenvolvimento Social do líder conservador e, em 2000, foi derrotado pelo Ricardo Lagos nas presidenciais.

Segundo a legislação chilena, diante da renúncia, os partidos da Aliança tê o direito de escolher candidatos próprios. O prazo para a inscrição encerra-se em 17 de agosto. / EFE e AFP

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