Direita perde ministro mas tem maioria no Legislativo francês

Partido de Sarkozy elege maioria na Assembléia em resultado aquém do esperado

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h47

O resultado parcial oficial das urnas mostra uma vitória da direita francesa na Assembléia Nacional, mas com resultado abaixo do esperado. As eleições legislativas freiam o aumento de poder do presidente Nicolas Sarkozy no governo francês. No pleito para renovação das 577 cadeiras da Assembléia Nacional, a direita conseguiu 70 a menos do que o planejado.Diferente da "onda azul" que as pesquisas previam após o primeiro turno das eleições legislativas, há uma semana, a segunda e última rodada deste domingo, 17, foi o primeiro revés para o presidente e uma "correção", vista como uma rejeição por parte do eleitorado à hegemonia do grupo presidencial na Assembléia Nacional.Um dos resultados imediatos da "derrota moral" de Sarkozy no legislativo é a demissão do ex-primeiro-ministro e atual ministro do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, Alain Juppé, o "número dois" dentre os homens do presidente. Ele perdeu a eleição em seu distrito e pediu demissão do governo logo em seguida.Juppé foi derrotado candidato socialista, obtendo apenas 49,07% dos votos, segundo a companhia. Logo após saber o resultado, Alain Juppé anunciou que apresentará na segunda sua renúncia como ministro da Ecologia ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, e ao primeiro-ministro, François Fillon, devido a sua derrota.Sete dos 11 membros do Executivo que concorriam ao pleito foram eleitos ou reeleitos no domingo passado, no primeiro turno, incluindo o primeiro-ministro francês, François Fillon. Fillon havia determinado que os candidatos a deputados de seu gabinete que não conseguissem ser eleitos deveriam abandonar o governo, que tomou posse no mês passado.Embora com a maioria das cadeiras na Assembléia, o resultado permitiu o avanço da esquerda, que amargava a derrota nas eleições para o Executivo. Resultados parciais - com quase 70% das urnas apuradas - dão conta de que 42% do Legislativo seria dos socialistas, um resultado bastante próximo dos 46% conseguido pelos conservadores.De acordo com estimativas dos institutos de pesquisas, a UMP conquistaria entre 319 e 329 cadeiras (em vez das atuais 359), mas, com seus aliados do Novo Centro e outros, ficaria com um total de 340. O número é maior que os 289 assentos necessários para obter maioria absoluta, mas muito abaixo dos 400 aos quais concorriam.O Partido Socialista (PS), que tinha 149 deputados na legislatura anterior, teria entre 202 e 210. Com as 17 dos comunistas (que buscam aliados para manter seu grupo parlamentar) e as quatro Verdes anunciadas, a esquerda teria 232 cadeiras.O Movimento Democrata (MoDem) do centrista François Bayrou, terceiro mais votado nas eleições presidenciais, teria quatro ou cinco cadeiras, incluindo a de seu próprio líder, reeleito neste domingo. Já a ultradireitista Frente Nacional (FN) continuará sem representação na câmara, após a derrota de sua única candidata na disputa, Marine Le Pen.A abstenção foi grande, maior que 39%, como na primeira rodada, mas desta vez parece que prejudicou mais a direita, quando há uma semana havia afetado a esquerda.VitóriaO primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou que as eleições legislativas deram ao partido UMP uma vitória "clara e coerente" que permitirá dar início ao projeto do governo de Sarkozy. Após tomar conhecimento das pesquisas, que indicam a maioria da direita, Fillon disse que "as eleições terminaram. Agora, começa o tempo da união e da ação".Em declaração institucional, o primeiro-ministro afirmou que não se deve perder tempo. "Vamos experimentar novas idéias", disse, acrescentando que serão eliminados "os costumes e os hábitos", assim como o "derrotismo, que sufocam à República".Quanto ao novo cenário político, Fillon comprometeu-se a "respeitar a oposição", cujos poderes serão reforçados no Parlamento e com o qual manterá um diálogo "franco e permanente".O primeiro-ministro francês ainda fez um apelo à oposição para se chegar a um consenso, apesar de já terem concordado em que, a partir de julho, a Assembléia Nacional legislará sobre o poder aquisitivo, a reforma universitária, os serviços mínimos no transporte e um controle maior dos fluxos migratórios. A intenção é pôr fim a "duas décadas de falta de coragem"."Faremos o que prometemos", disse o governante francês, que disse estar convencido de que as eleições legislativas são "uma recompensa ao grande incentivo" dado por Nicolas Sarkozy, eleito há seis semanas para ocupar a Presidência da República.SocialistasVisivelmente aliviado, o líder socialista, François Hollande, mostrou-se satisfeito com o fato de a "onda azul" anunciada não ter ocorrido, acrescentando que "haverá diversidade e pluralismo, menos mal".Os franceses "quiseram instalar uma força frente aos novos poderes para permitir o equilíbrio e o contrapeso indispensáveis em democracia", disse Hollande, que foi reeleito em seu reduto político de Tulle (centro), conforme o previsto.Os eleitores também quiseram expressar suas "dúvidas" e "temores" diante das "primeiras medidas injustas" do governo, principalmente quanto ao "IVA social e às franquias médicas", disse. A denúncia do projeto "IVA social" - um aumento do imposto sobre o valor agregado junto com uma redução das cotações sociais para baratear os custos trabalhistas - foi o pilar do programa dos socialistas nos dois turnos das eleições.Os "tenores" socialistas tinham suspendido, a duras penas e por alguns dias, suas divergências e rivalidades, visíveis principalmente entre a ex-candidata ao Palácio do Eliseu, Ségolène Royal, e o líder do PS e pai de seus quatro filhos, do qual se separou, conforme anunciado na noite deste domingo. "A oposição tem hoje a tarefa de vigiar, proteger e também propor", disse Royal, que não concorria nas eleições.A socialista, que deseja substituir Hollande à frente do PS, afirmou que o resultado deste domingo era "o prolongamento da dinâmica da eleição presidencial" e acrescentou que "o trabalho de imaginação" realizado por ela durante a campanha ao Palácio do Eliseu deve "continuar".No entanto, o veredicto das urnas é favorável a Hollande em seu desejo de seguir em seu cargo até o Congresso da "refundação" de 2008. A única certeza é de que o PS entrará em um período de águas turbulentas e de acertos de contas. MinoriasO centrista François Bayrou afirmou neste domingo que seu partido, o Movimento Democrata (MoDem), abriu um novo caminho político com a conquista de quatro cadeiras na futura Assembléia Nacional. Para ele, o partido terá um "espírito livre" na Assembléia e, enquanto isso, "construirá a grande corrente centrista da qual a França precisa". Perante seus partidários do departamento dos Pirineus Atlânticos (sul), Bayrou garantiu que foi reeleito e que o MoDem conquistará ainda outras três cadeiras, um resultado com o qual se mostrou satisfeito, já que seus candidatos disputavam o segundo turno das eleições legislativas em apenas seis circunscrições.O centrista disse que a lei eleitoral, baseada no sistema da maioria absoluta, é "injusta", e que, com outra regra, seu partido obteria melhores resultados. No entanto, Bayrou demonstrou satisfação, dizendo que, com a presença do MoDem na Assembléia, haverá espaço para "o pluralismo e a diversidade".Matéria ampliada às 18h27 para acréscimo de informações

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