Flavio Lo Scalzo/ Pool/ AFP
Flavio Lo Scalzo/ Pool/ AFP

Direita quer conquistar redutos da esquerda nas eleições regionais da Itália

Eleições locais, que coincidem com a realização de um referendo nacional sobre a diminuição do número de parlamentares no país, podem alterar significativamente o cenário político nacional

Catherine Marciano, AFP, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 09h16

Eleitores italianos foram às urnas neste domingo, 20, para eleições que podem alterar substancialmente o cenário político do país. Enquanto seis regiões administrativas escolhem seus representantes locais, um referendo nacional também está sendo realizado para decidir sobre a redução do número de assentos no Parlamento da Itália.

A votação começou no domingo, 20, e termina nesta segunda-feira, 21. O procedimento segue um rígido protocolo de segurança devido ao aumento de casos de coronavírus no país nas últimas sete semanas. Ao final da tarde do domingo, a participação era de 30%, de acordo com o Ministério do Interior italiano.

No cenário local, seis regiões administrativas - que, somadas, tem mais de 20 milhões de habitantes - elegem seus representantes, em meio a uma disputa entre correntes ideológicas. A direita, que atualmente governa duas dessas regiões - Ligúria e Veneto - tenta a vitória em áreas historicamente dominadas pela esquerda, incluindo a Toscana, considerada uma "joia vermelha" durante meio século. Campania, Apúlia e Marche também estão em disputa.

Atualmente, a Itália é governada por uma coalizão formada há um ano entre o Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema), do primeiro-ministro Giuseppe Conte, e o Partido Democrata (PD, centro-esquerda). O governo sobreviverá independente dos resultados das eleições, no entanto, a derrota em três das quatro regiões seria considerado um resultado catastrófico, uma vez que a direita já administra 13 regiões italianas e esquerda apenas seis.

Contra a coalizão de governo, há uma frente de centro-direita e de direita com candidatos únicos, afim de concentrar os votos. Pela direita, a disputa interessa especialmente ao senador Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga, que teve a popularidade abalada durante a pandemia. As regionais são vistas como um termômetro para o dirigente partidário.

Na Toscana, principal 'front' do confronto eleitoral, a Liga indicou a eurodeputada Susanna Ceccardi, de 33 anos, para enfrentar a frente formada pelos partidos Democrata e Itália Viva - este segundo, fundado pelo ex-chefe de Governo Matteo Renzi, que tenta se "ressucitar" politicamente. O candidato escolhido pela frente de esquerda foi Eugenio Giani, que ainda terá que disputar votos com uma candidatura menos popular do M5S.

Uma derrota na Toscana, uma região conhecida por seu bom funcionamento e até agora pouco inclinada ao populismo, também afetaria Nicola Zingaretti, presidente do Partido Democrata, afirmam os analistas.

Referendo nacional

No referendo nacional, os 46 milhões de eleitores do país devem se pronunciar sobre a redução do número de parlamentares. O pleito é uma promessa eleitoral do M5S e, se aprovado, reduziria o número de cadeiras de 945 para 600. Hoje, a Itália tem o segundo maior parlamento da Europa, atrás do Reino Unido, que tem cerca de 1.400 representantes, e à frente da França, que tem 925.

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