Direito da mulher é prioridade na gestão Hillary

Giro africano evidencia a diplomacia feminista da secretária de Estado

WASHINGTON POST, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Ela falou sobre galinhas com fazendeiras no Quênia, ouviu as tristes histórias de vítimas de estupro na República Democrática do Congo (ex-Zaire) e, na África do Sul, visitou um projeto de habitações construídas por mulheres pobres. A viagem da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pela África enviou o sinal mais claro até agora de que ela pretende transformar o direito das mulheres numa marca de sua passagem pelo Departamento de Estado e numa prioridade nunca antes estabelecida pela diplomacia americana.O giro de Hillary pela África durou 11 dias - a mais longa viagem desde que assumiu o posto, em janeiro - e passou por 7 países: Quênia, África do Sul, Congo, Angola, Nigéria, Libéria e Cabo Verde, última escala antes da volta, ontem.Os principais objetivos de Hillary foram o aumento da pressão sobre os líderes africanos para que eles combatam os abusos sexuais e direcionem o dinheiro recebido do governo americano para programas de ajuda à mulher. Hillary não é a primeira mulher a chefiar o Departamento de Estado dos EUA, mas nenhuma de suas antecessoras costumava carregar em suas viagens oficiais a força de um ícone pop do feminismo. Em quase todos seus compromissos oficiais, ela se reuniu com mulheres: estudantes sul-coreanas, empresárias israelenses, viúvas iraquianas, ativistas chinesas. Nos primeiros cinco meses à frente do Departamento de Estado, ela mencionou a palavra "mulher" pelo menos 450 vezes em seus pronunciamentos públicos - o dobro de sua antecessora, Condoleezza Rice.O interesse de Hillary em causas feministas vem da época em que era primeira-dama. Em 1995, ela fez um discurso em um evento da ONU em Pequim, denunciando os abusos contra as mulheres. Foi aplaudida de pé e ganhou manchetes em jornais de todo o mundo. Na África, além de abraçar a causa, ela ainda passou a mensagem clara: os africanos devem assumir o rumo da África. Os EUA, mesmo sendo aliados fiéis, não têm uma varinha de condão para resolver problemas endêmicos do continente.

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