Direitos humanos lembram abusos do regime de Suharto

Ex-ditador foi responsável por entre 500 mil e um milhão de mortes logo após sua chegada ao poder, em 1965

Efe

28 de janeiro de 2008 | 04h26

Grupos de direitos humanos lembraram nesta segunda-feira, 28, que o ex-presidente indonésio Suharto escapou da Justiça e da prisão por vários crimes contra a humanidade em seu país e no Timor-Leste.   A Rede de Ação para a Indonésia e Timor-Leste (Etan, em inglês) indica que Suharto foi responsável por entre 500 mil e um milhão de mortes nos meses que se seguiram à sua chegada ao poder, em 1965. Outras 200 mil pessoas morreram na invasão e posterior ocupação da ex-colônia portuguesa.   Segundo a Etan, o ex-ditador teria assassinado 100 mil inocentes para reprimir o movimento separatista na antiga Irian Jaya, e dezenas de milhares perderam a vida em sua repressão da insurgência em Aceh e em outras regiões do arquipélago.   Já o grupo Human Rights Watch (HRW) informou que a morte de Suharto é uma excelente ocasião para homenagear as vítimas de seu regime e pediu às autoridades indonésias que levem de uma vez por todas perante os tribunais os responsáveis pelos abusos.   Os dois grupos destacaram que ele era considerado um dos dirigentes mais corruptos das últimas décadas e que sua família acumulou de maneira ilícita até US$ 35 bilhões, segundo a organização Transparência Internacional.   A idade avançada e o delicado estado de saúde impediram que Suharto fosse julgado na Indonésia, país governado por ele com mão de ferro de 1965 até 1998. Naquele ano foi deposto do poder pela crise econômica e por uma revolta popular.   Funeral   Mahathir Mohamed, o ex-primeiro-ministro malaio, deverá comparecer nesta segunda-feira, 28, ao funeral do ex-presidente indonésio Suharto, seu velho amigo e antigo aliado político.   Mahathir viajará para Jacarta junto com o atual vice-primeiro-ministro, Najib Tun Razak, que representará o governo da Malásia, segundo o jornal The Star. Suharto morreu na madrugada de domingo, 27, aos 86 anos em um hospital da capital indonésia, após 23 dias internado, por falência múltipla dos órgãos.

Tudo o que sabemos sobre:
IndonésiaSuharto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.