Ng Han Guan/AP
Ng Han Guan/AP

Direitos Humanos querem investigação da ONU na China

Ativistas acusam governo chinês de isolar cidade onde morreram 156 pessoas, no domingo

Efe

07 de julho de 2009 | 01h59

Grupos de direitos humanos - como a organização norte-americana Human Rights Watch (HRW) e os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) - condenaram na manhã desta terça-feira, 7, o uso da força por parte do governo chinês para reprimir as manifestações de muçulmanos exilados em Urumqi, no último domingo. As entidades pedem que a China autorize uma investigação independente para esclarecer as ocorrências.

 

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Em um comunicado, o HRW pediu ao governo chinês "equilíbrio" na hora de lidar com os distúrbios sociais na capital regional da província de Xinjiang, que já causaram pelo menos 156 mortes, 1080 feridos e mais de 1.400 detidos.

 

A organização, com sede em Nova York, pede a Pequim que autorize o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, chefiado pela sul-africana Navanethem Pillay , a enviar um grupo de investigação que apure o ocorrido em Urumqi.

 

O HRW reivindica que o regime comunista "não repita os erros" cometido no ano passado, no episódio dos protestos no Tibet, em que a região foi fechada a jornalistas durante meses e não se autorizou a presença de investigadores internacionais.

 

"A mídia oficial chinesa já está acusando a grupos uigures no exílio de organizar a violência, da mesma forma que culparam o Dalai Lama pelo que ocorreu no ano passado no Tibet", afirmou no comunicado a diretora do escritório da Ásia do HRW, Sophie Richardson.

 

Em outro comunicado o RSF condena a falta de informações que a China impôs em Urumqi, bloqueando o acesso à Internet, que parece ter sido liberada apenas parcialmente e nos hotéis em que se hospedam os jornalistas que cobrem os acontecimentos locais.

 

Ainda assim, foram bloqueados o acesso a serviços como o Twitter e mais de 50 fóruns independentes sobre Xinjiang - como o popular Tianshannet.com - acusa o RSF, que assegura ainda que "Urumqi está incomunicável com o resto do mundo."

 

"Condenamos firmemente este comportamento, que é uma grave violação da liberdade de expressão dos uigures e um ato de discriminação inaceitável", declara o comunicado da entidade.

 

Em Hong Kong, a ONG Chinese Human Rights Defenders (Defensores dos Direitos Humanos Chineses, CHRD, na sigla em inglês), denunciou a "sangrenta repressão aos manifestantes de Urumqi" e exigiu do governo chinês que "garanta o direito dos cidadãos à informação correta e imparcial, o respeito à liberdade de organização pacífica e de expressão, e o devido julgamento dos suspeitos de haver cometido crimes durante os protestos."

 

A CHRD também reivindica a Pequim que permita a organizações de direitos humanos e outras instituições da comunidade internacional conduzirem investigações imparciais e independentes sobre as causas do massacre do último domingo.

 

A organização condena ainda o tratamento dado pela imprensa oficial chinesa aos protestos, por mostrar principalmente pessoas que acabaram feridas por manifestantes uigures, acusando ao Congresso Mundial Uigur de promover, do exílio, a violência do dia 5 passado.

 

"A CHRD adverte que as imagens e acusações oficial servirão apenas para agravar as tensões étnicas, e exige que o governo chinês evite tais acusações se não tem evidências que as comprovem", conclui a entidade.

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