Diretor atribui fim de jornal a ação de Quito

Diretor do jornal Hoy, fechado na terça-feira pelo governo equatoriano, Jaime Mantilla disse ontem em entrevista ao Estado que a única maneira de reagir ao encerramento das atividades é manter os valores do diário: liberdade de expressão pluralismo e independência. "Estamos trabalhando nisso", escreveu em uma troca de e-mails, sem apontar uma ação concreta.

QUITO, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2014 | 02h03

Mantilla, que também foi presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) no biênio 2013-2014, acha difícil uma ação legal contra o governo de Rafael Correa surtir efeito. "O Equador é um país dominado pelo governo em todas os seus poderes, então, como eu falei, a melhor maneira de reagir é mantendo os nossos valores."

Dois dias após a intervenção e o fechamento do Hoy por um órgão do governo equatoriano, a ONG Repórteres Sem Fronteiras pronunciou-se sobre o caso. Em uma nota publicada ontem no site da entidade, Camille Soulier, responsável da organização pelo departamento das Américas, lamentou o desaparecimento do diário e criticou o governo de Correa por não oferecer soluções para a recuperação econômica da empresa.

"É lamentável o desaparecimento de uma publicação como o Hoy, isso constitui um golpe ao pluralismo no Equador", disse Soulier. "Estamos surpresos com a rapidez do processo. As autoridades não podiam ter encontrado uma solução para salvar este diário? Independentemente da extrema polarização da mídia no país, o fechamento de um meio de comunicação é sempre uma perda para a sociedade civil e limita o acesso da população às diferentes opiniões."

O Hoy, um dos jornais equatorianos mais críticos ao governo, foi obrigado a fechar em razão da liquidação da empresa Editores e Impresores S.A. (Edimpres) na terça-feira. No dia 27 de junho, problemas financeiros obrigaram o jornal a suspender a versão impressa durante a semana para se concentrar na versão digital e em edições impressas no fim de semana.

De acordo com a nota do Repórteres Sem Fronteiras, é difícil conhecer o grau de responsabilidade do Estado, pois o periódico vivia frequentemente em dificuldades econômicas.

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