Diretor da AIEA exige acesso imediato a instalação no Irã

O chefe da agência nuclear da ONU, Yukiya Amano, exigiu nesta segunda-feira que o Irã conceda acesso imediato à instalação militar de Parchin a inspetores internacionais, para que verifiquem as suspeitas de que houve no local testes de materiais explosivos ligados ao desenvolvimento de armas atômicas.

FREDRIK DAHL, Reuters

10 de setembro de 2012 | 09h24

Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), disse também que não houve avanços concretos na rodada de discussões iniciada em janeiro entre a AIEA e o Irã para tentar resolver as desconfianças que cercam o programa nuclear iraniano. Potências ocidentais acusam Teerã de tentar desenvolver armas nucleares, algo que a República Islâmica nega.

A declaração de Amano foi feita em sessão a portas fechadas reunindo os 35 países que integram o conselho da AIEA. Governos ocidentais podem receber isso como mais um argumento pelo endurecimento das sanções ao Irã.

No mesmo dia, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que Israel e EUA estão discutindo o estabelecimento de um "limite" ao programa nuclear iraniano. Autoridades israelenses usam uma retórica cada vez mais agressiva para ameaçar uma ação militar contra instalações nucleares iranianas, embora os EUA defendam um maior espaço para uma solução diplomática.

Na semana passada, Grã-Bretanha, França e Alemanha defenderam o endurecimento das sanções da União Europeia ao Irã, e o Canadá anunciou repentinamente que irá fechar sua embaixada em Teerã.

Amano disse que a falta de resultados concretos apesar dos meses de discussões entre a AIEA e o Irã é "frustrante".

"Consideramos essencial que o Irã se envolva conosco sem mais demoras a respeito da substância das nossas preocupações", disse o veterano diplomata japonês, segundo uma cópia do seu discurso.

"Sem o pleno envolvimento do Irã, não poderemos iniciar o processo para resolver todas as questões remanescentes, inclusive aquelas relacionadas a possíveis dimensões militares do seu programa nuclear."

Antes disso, o embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse a jornalistas que seu país irá "continuar" cooperando com a agência, mas que sua segurança nacional precisa ser levada em conta.

Os EUA e seus aliados querem aproveitar a reunião do conselho da AIEA, que vai durar uma semana, para adotar uma resolução que recrimine o Irã por obstruir a investigação das suas atividades nucleares. Não está claro, no entanto, se China e Rússia aceitariam essa medida.

O Irã alega que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos.

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