Diretor da ONU acusa Israel de uso excessivo da força em Gaza

O diretor da agência de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) aos palestinos acusou Israel de ter cometido "graves violações" das leis internacionais durante uma recente ofensiva que resultou na morte de mais de cem palestinos no norte da Faixa de Gaza. Peter Hansen, diretor da UNRWA (iniciais em inglês da agência da ONU para os palestinos), inspecionou hoje os danos causados pelo Estado judeu no campo de refugiados de Jebaliya, atravessando montanhas de escombros de prédios destruídos e visitando um devastado complexo escolar dirigido pela ONU. Hansen disse que a UNRWA confirmou a morte de 107 palestinos, inclusive 30 pessoas com menos de 18 anos. Pelo menos 90 casas foram totalmente demolidas, deixando entre 600 e 700 desabrigados somente em Jebaliya, acrescentou. Os resultados da incursão israelense, encerrada no fim da semana passada, depois de 17 dias, foram "enormes e devastadores", disse Hansen antes de pedir à comunidade internacional que forneça ajuda aos flagelados da região. O diretor da UNRWA acusou o Estado judeu de uso excessivo da força. "A maior parte do que vimos aqui em Jebaliya é uma grave violação das leis humanitárias internacionais. Nós continuaremos protestando contra essas medidas, que são desproporcionais e irrelevantes para as metas que Israel tentou cumprir", denunciou. David Saranga, porta-voz da chancelaria israelense, disse que o Estado judeu "fez o possível para evitar baixas entre civis". Estima-se que metade das vítimas da incursão seja composta por civis. Enquanto isso, a organização não-governamental Human Rights Watch divulgou um relatório no qual acusa Israel de violar sistematicamente as leis internacionais ao destruir as casas de palestinos em Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza, para criar uma zona tampão na fronteira do território palestino com o Egito. O relatório também acusa Israel de exagerar a ameaça representada pelas armas vendidas por traficantes de armas que usam túneis entre Rafah e o Egito e de não ter buscado formas menos destrutivas de descobrir e destruir os túneis, citados como a principal justificativa para as demolições. Desde o início do atual conflito entre israelenses e palestinos, há mais de quatro anos, mais de 16 mil pessoas ficaram desabrigadas em Rafah por causa das demolições, denuncia o relatório. Kenneth Roth, diretor-executivo da Human Rights Watch, qualificou a destruição como "gratuita". O Exército israelense recusou-se a comentar o teor do relatório de 135 páginas intitulado "Arrasando Rafah". Segundo o documento, a questão da segurança fica em segundo plano por causa do desejo israelense de criar uma zona tampão para "facilitar o controle de longo prazo sobre a Faixa de Gaza".

Agencia Estado,

18 Outubro 2004 | 17h23

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