Diretor da proprietária do Sewol é condenado a 10 anos de prisão

Kim Han-sik foi considerado culpado de homicídio culposo ao remodelar embarcação, que naufragou em abril, e a sobrecarregar

O Estado de S. Paulo

20 Novembro 2014 | 08h58

SEUL - Um tribunal sul-coreano condenou nesta quinta-feira, 20, o diretor-executivo da transportadora proprietária da embarcação Sewol, que naufragou em abril, a 10 anos de prisão por homicídio culposo, devido ao excesso de carga na embarcação e outras irregularidades.

Kim Han-sik, de 71 anos, "remodelou a embarcação e a sobrecarregou para compensar o déficit da empresa, mesmo sabendo que isso comprometeria a estabilidade da balsa", diz a sentença do tribunal de Gwangju, no sudoeste do país. O naufrágio deixou 304 mortos.

A corte também impôs ao diretor-executivo da Cheonghaejin Marine uma multa de 2 milhões de wons (US$ 1,9 mil) e ditou penas de prisão de três a seis anos para outros executivos da companhia.

Os peritos comprovaram que a embarcação foi submetida a uma remodelação ilegal, que diminuiu sua estabilidade, e transportava no momento do acidente o triplo da carga permitida. Todos os documentos estavam em dia porque a empresa conseguiu as permissões de navegação por meio do pagamento de propina.

Em razão das irregularidades, a manobra brusca de um membro inexperiente da tripulação fez o navio afundar nas águas do litoral sudoeste da Coreia do Sul, com 476 passageiros a bordo.

No último dia 12, o tribunal de Gwangju condenou o capitão do Sewol a 36 anos de prisão e impôs penas de cinco a 30 anos a outros 14 tripulantes da embarcação, nesse caso por omissão de socorro.

Fraudes. A decisão desta quinta também afirma que "(Kim) causou prejuízo à empresa por desvio e má administração" e "transferiu recursos secretos" à família de Yoo Byung-eun, o falecido milionário, artista e líder religioso que era o real proprietário da Cheonghaejin Marine.

Yoo apareceu morto em circunstâncias suspeitas em julho, enquanto dois de seus filhos foram condenados a dois e três anos de prisão, respectivamente, pelas práticas irregulares que contribuíram decisivamente para o naufrágio, segundo as investigações. /EFE

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