Diretor de hospitais de Paris defende cobrar não vacinados por internação no sistema público

Martin Hirsch, chefe do sistema de hospitais AP-HP de Paris, questionou se pessoas que negam 'medicamentos gratuitos e eficientes' deveriam poder fazê-lo sem consequências

Redação - O Estado de S.Paulo

O chefe do sistema hospitalar de Paris iniciou um debate polêmico ao questionar se pessoas que se recusam a ser vacinadas contra a covid-19 devem continuar a ter seu tratamento coberto pelo seguro de saúde público.

Sob o sistema de saúde universal da França, todos os pacientes com covid-19 que acabam em terapia intensiva têm seus tratamentos totalmente cobertos. O custo médio do tratamento é de cerca de 3 mil euros (aproximadamente R$ 18.060) por dia, e costuma durar de 7 a 10 dias.

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"Quando medicamentos gratuitos e eficientes estão disponíveis, as pessoas devem poder renunciar a eles sem consequências (...) enquanto lutamos para cuidar de outros pacientes?", disse o chefe do sistema de hospitais AP-HP de Paris, Martin Hirsch, em entrevista na televisão francesa na quarta-feira, 26.

Foto de arquivo mostra o diretor geral do sistema AP-HP de Paris, Martin Hirsch (D), ao lado do premiê francês Jean Castex, em outubro de 2020. Foto: Ludovic Marin/Pool via REUTERS/File Photo

Hirsch disse que levantou a questão porque os custos de saúde estão "explodindo" e que o comportamento irresponsável de alguns não deve comprometer a disponibilidade do sistema para todos os outros.

Vários profissionais de saúde franceses rejeitaram a proposta do diretos, e políticos de extrema-direita pediram a demissão de Hirsch. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que preside o conselho da AP-HP e é candidata nas eleições presidenciais deste ano, disse discordar da proposta.

Uma hashtag pedindo a demissão de Hirsch estava em alta no Twitter na França.

O ministro da Saúde, Olivier Veran, não comentou a declaração de Hirsch, mas Olga Givernet, legisladora do partido LREM, do presidente Emmanuel Macron, disse na BFM TV, na quinta-feira, 27, que "a questão levantada pela comunidade médica não pode ser ignorada".

Uma pesquisa do IFOP em meados de janeiro mostrou que 51% dos franceses consideravam justificado que as pessoas não vacinadas que acabam em terapia intensiva deveriam pagar parte ou toda a conta do hospital.

O parlamentar conservador do Les Republicains, Sebastien Huyghe - cujo projeto para fazer os não vacinados pagarem parte de seus custos médicos foi rejeitado pelo parlamento - disse que a ideia não era rejeitar os não vacinados nas enfermarias de terapia intensiva, mas fazê-los pagar uma contribuição mínima para o custo de seus cuidados.

A proposta seria semelhante ao que ocorre em Cingapura, onde as pessoas que recusam as vacinas devem pagar por seu tratamento médico. O país asiático tem uma das maiores taxas de vacinação do mundo.

De acordo com o Ministério da Saúde de Cingapura, a conta para pacientes com covid-19 não vacinados e que precisam de cuidados intensivos é de cerca de US$ 18.500 (aproximadamente R$ 99.881)./ REUTERS

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Martin Hirsch, chefe do sistema de hospitais AP-HP de Paris, questionou se pessoas que negam 'medicamentos gratuitos e eficientes' deveriam poder fazê-lo sem consequências

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O chefe do sistema hospitalar de Paris iniciou um debate polêmico ao questionar se pessoas que se recusam a ser vacinadas contra a covid-19 devem continuar a ter seu tratamento coberto pelo seguro de saúde público.

Sob o sistema de saúde universal da França, todos os pacientes com covid-19 que acabam em terapia intensiva têm seus tratamentos totalmente cobertos. O custo médio do tratamento é de cerca de 3 mil euros (aproximadamente R$ 18.060) por dia, e costuma durar de 7 a 10 dias.

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"Quando medicamentos gratuitos e eficientes estão disponíveis, as pessoas devem poder renunciar a eles sem consequências (...) enquanto lutamos para cuidar de outros pacientes?", disse o chefe do sistema de hospitais AP-HP de Paris, Martin Hirsch, em entrevista na televisão francesa na quarta-feira, 26.

Foto de arquivo mostra o diretor geral do sistema AP-HP de Paris, Martin Hirsch (D), ao lado do premiê francês Jean Castex, em outubro de 2020. Foto: Ludovic Marin/Pool via REUTERS/File Photo

Hirsch disse que levantou a questão porque os custos de saúde estão "explodindo" e que o comportamento irresponsável de alguns não deve comprometer a disponibilidade do sistema para todos os outros.

Vários profissionais de saúde franceses rejeitaram a proposta do diretos, e políticos de extrema-direita pediram a demissão de Hirsch. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que preside o conselho da AP-HP e é candidata nas eleições presidenciais deste ano, disse discordar da proposta.

Uma hashtag pedindo a demissão de Hirsch estava em alta no Twitter na França.

O ministro da Saúde, Olivier Veran, não comentou a declaração de Hirsch, mas Olga Givernet, legisladora do partido LREM, do presidente Emmanuel Macron, disse na BFM TV, na quinta-feira, 27, que "a questão levantada pela comunidade médica não pode ser ignorada".

Uma pesquisa do IFOP em meados de janeiro mostrou que 51% dos franceses consideravam justificado que as pessoas não vacinadas que acabam em terapia intensiva deveriam pagar parte ou toda a conta do hospital.

O parlamentar conservador do Les Republicains, Sebastien Huyghe - cujo projeto para fazer os não vacinados pagarem parte de seus custos médicos foi rejeitado pelo parlamento - disse que a ideia não era rejeitar os não vacinados nas enfermarias de terapia intensiva, mas fazê-los pagar uma contribuição mínima para o custo de seus cuidados.

A proposta seria semelhante ao que ocorre em Cingapura, onde as pessoas que recusam as vacinas devem pagar por seu tratamento médico. O país asiático tem uma das maiores taxas de vacinação do mundo.

De acordo com o Ministério da Saúde de Cingapura, a conta para pacientes com covid-19 não vacinados e que precisam de cuidados intensivos é de cerca de US$ 18.500 (aproximadamente R$ 99.881)./ REUTERS

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