Sarah Silbiger/The New York Times
Sarah Silbiger/The New York Times

Diretor de Inteligência contradiz Trump sobre principais ameaças globais aos EUA 

Somando as avaliações sobre Coreia do Norte, Irã e Estado Islâmico, relatório apresentado ao Senado pinta quadro de ameaças amplamente diferente das expostas pela política externa do presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2019 | 16h25

WASHINGTON - Uma nova avaliação da inteligência americana sobre ameaças globais concluiu que a Coreia do Norte provavelmente não desistirá de seu programa nuclear e o Irã, por sua vez, não está atualmente conduzindo "atividades-chave para o desenvolvimento nuclear" necessários para uma bomba. As duas análises contradizem diretamente dois princípios fundamentais da política externa do presidente americano, Donald Trump

O diretor de inteligência nacional, Dan Coats, também questionou a tese de Trump de que o Estado Islâmico foi derrotado, argumento no qual o presidente baseou sua decisão de retirar as tropas americanas da Síria. Segundo o relatório Avaliação de Ameaça Mundial apresentado pelo diretor ao Congresso, o EI ainda controla milhares de combatentes no Iraque e na Síria. O grupo "mantém oito facções, mais de uma dezena de redes e milhares de partidários dispersos em todo o mundo, apesar das perdas significativas em termos de líderes e territórios", apontou.

O presidente americano tem uma reunião marcada com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, para o próximo mês, em uma segunda rodada de negociações diretas com Pyongyang sobre seu programa de armas nucleares. "Avaliamos que é improvável que a Coreia do Norte desista completamente de suas armas nucleares e sua capacidade de produção", afirmou Coats à Comissão de Inteligência do Senado nesta terça-feira, 29. 

"Em última análise, os líderes (da Coreia do Norte) veem as armas nucleares como críticas à sobrevivência do regime", disse Coats. 

Irã

Sobre o Irã, o diretor afirma que o país continua a patrocinar terrorismo na Europa e no Oriente Médio, apoiando grupos como o houthis no Iêmem e milícias xiitas no Iraque. Na sua visão sobre o país, os linha-dura iranianos continuarão a desafiar seus  adversários centristas. 

 

"Não acreditamos que o Irã esteja atualmente conduzindo as atividades-chave que julgamos necessárias para produzir um artefato nuclear", disse Coats. No entanto, acrescentou que membros do regime iraniano têm publicamente ameaçado aumentar os limites do acordo nuclear fechado com as potências globais em 2015 se não vir alcançado os benefícios que esperavam. 

Somando todas as avaliações, o relatório pinta um quadro de ameaças amplamente diferente com as expostas por Trump. A Rússia surge como uma ameaça perturbadora, a China outra, a longo prazo. Mas o fracasso dos EUA em investir pesadamente em pesquisa e desenvolvimento em tecnologias-chave permitindo que novos competidores ocupem uma lacuna tecnológica, alertou o diretor, talvez seja a maior preocupação de inteligência americana. / NYT e REUTERS  


 

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