Max Whittaker/The New York Times
Max Whittaker/The New York Times

Diretor do FBI é criticado por caso sobre Hillary

Comunidade jurídica ataca James Comey por decisão de comunicar publicamente novas investigações às vésperas do dia da eleição

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2016 | 20h09

WASHINGTON - O diretor do FBI, James Comey, foi criticado por democratas e integrantes da comunidade jurídica por sua decisão de anunciar que a agência analisará e-mails que podem estar relacionados à investigação sobre o uso de um servidor privado de internet durante a gestão da candidata Hillary Clinton no Departamento de Estado.

Por regra, o FBI não divulga publicamente a abertura de investigações. Ao fazer isso 11 dias antes de os americanos irem às urnas, ele foi alvo de acusações de interferência no processo eleitoral. Republicano, Comey foi nomeado para o cargo pelo presidente Barack Obama em 2013.

A decisão de analisar os novos e-mails foi revelada em carta enviada na sexta-feira 28 ao Congresso, na qual o diretor do FBI disse não saber se o conteúdo das mensagens é “significativo” nem quanto tempo a agência precisará para analisá-las. Segundo ele, o objetivo é determinar se os e-mails possuem informação sigilosa.

Questões. O caráter vago da comunicação ao Congresso levou democratas e republicanos a exigirem que Comey dê mais informações sobre o caso. “A carta do diretor Comey não foi solicitada e, muito honestamente, foi surpreendente”, disse em nota o senador republicano Chuck Grassley. “Mas ela deixou mais perguntas do que respostas tanto para o FBI quanto para a secretária Clinton. O Congresso e o público merecem mais contexto para avaliar de maneira apropriada que evidência o FBI descobriu e o que pretende fazer com ela.”

Integrante do Comitê de Inteligência do Senado, a democrata Dianne Feinstein disse estar “chocada”. “O FBI tem uma história de extrema cautela perto do dia da eleição para não influenciar o resultado”, afirmou. “A quebra dessa tradição hoje é espantosa.”

Nick Ackerman, um ex-procurador federal e assistente especial do caso Watergate, disse à agência de notícias Bloomberg que a atitude de Comey desrespeita as práticas da instituição. “Não é função do diretor do FBI fazer pronunciamentos públicos sobre uma investigação, muito menos sobre uma investigação baseada em evidência que ele reconhece que pode não ser significativa.”

Antecipando-se às críticas, Comey enviou na sexta-feira um comunicado aos funcionários do FBI justificando sua decisão. “É claro que nós normalmente não comunicamos o Congresso sobre investigações em andamento, mas aqui eu sinto que também penso que seria enganoso com o povo americano se nós não suplementássemos os dados”, afirmou. “Ao tentar obter um equilíbrio, em uma breve carta e no meio de uma temporada eleitoral, há um risco significativo de ser mal interpretado.”

Comey foi alvo de críticas dos republicanos quando decidiu encerrar a investigação sobre o servidor privado de Hillary sem apresentação de uma denúncia criminal. Na época, ele também veio a público para dizer que o FBI não havia encontrado indício de práticas que tenham colocado em risco informações confidenciais do governo americano. Ainda assim, ele afirmou que a ex-secretária de Estado havia sido “descuidada” na gestão de suas comunicações eletrônicas.

As conclusões sobre aquela investigação foram apresentadas pelo diretor do FBI em depoimento no Congresso no dia 7 de julho. “Você reabria a investigação sobre Clinton se descobrisse nova informação que fosse relevante e substantiva?”, perguntou o deputado republicano Lamar Smith. “Eu certamente olharia para cada informação nova e substancial”, respondeu Comey, que depunha sob juramento.

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