AFP PHOTO / Ryan McBride
AFP PHOTO / Ryan McBride

Diretor do FBI fala ao Congresso dos EUA sobre Rússia e eleição

James Comey deve afirmar se houve uma ligação entre Trump e os russos para prejudicar a campanha de Hillary Clinton

O Estado de S. Paulo

19 de março de 2017 | 19h31

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, terá nesta segunda-feira um dia decisivo no Congresso. James Comey, diretor do FBI, prestará depoimento sobre a interferência russa na sua vitória nas eleições presidenciais do ano passado. Em outra sessão, o juiz Neil Gorsuch, indicado pelo presidente para ocupar um cargo na Suprema Corte, será sabatinado por senadores. 

Depois de um longo período sem declarações públicas, Comey finalmente comparecerá diante do Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados para explicar o que apontam as investigações sobre a influência russa nas eleições americanas do ano passado. 

Democratas esperam indícios de que houve um conluio entre a campanha de Trump e agentes do Kremlin para prejudicar a candidatura de Hillary Clinton. Republicanos torcem para Comey esclarecer de vez a questão e dizer que não há evidências para questionar a vitória de Trump.

O presidente do comitê, o deputado republicano Devin Nunes, disse neste domingo, 19, que não há indícios de conluio entre Trump e os russos. “Com base em tudo o que tenho, não há provas”, disse o deputado ao programa Fox News Sunday. Segundo ele, o único crime até agora se refere às informações vazadas para a imprensa por parte de membros dos serviços de inteligência e do FBI “para prejudicar Trump”. “Isso me parece claro.” 

O mais alto representante democrata no comitê, o deputado Adam Schiff, disse neste domingo que as provas de conluio são “circunstanciais”, mas há sinais claros de manipulação. "Certamente, há provas suficientes para continuarmos uma investigação."

Além de Comey, outro depoimento aguardado nesta segunda no Congresso é o do diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), Mike Rogers. Espera-se que ambos esclareçam também as acusações de Trump de que seu antecessor, o então presidente Barack Obama, grampeou os telefones de sua campanha. 

Neste domingo, vários congressistas – republicanos e democratas – voltaram a dizer que não há provas que apoiem a alegação do presidente. “Não conheço a base para a afirmação do presidente Trump”, disse a senadora republicana Susan Colins ao programa Meet the Press, da NBC. “Eu acredito que Trump nos deve uma explicação.” Alguns, como os senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, afirmam que Trump deve um pedido de desculpas a Obama.

Suprema Corte. No Senado, um painel especial deverá sabatinar nesta segunda o juiz conservador Neil Gorsuch, que terá de responder perguntas duras sobre Trump e a independência do Judiciário. Os senadores democratas têm sofrido uma pressão cada vez maior de suas bases para votar contra a nomeação de Gorsuch.

 

Já os republicanos querem aprovar seu nome o mais rápido possível e restabelecer o equilíbrio de forças na Suprema Corte dos EUA – rompido desde a morte do juiz Antonin Scalia, em fevereiro de 2016.

Como os republicanos têm maioria no Senado, há muito pouco que os democratas podem fazer para impedir a nomeação de Gorsuch. No entanto, é possível que a oposição consiga arrancar do juiz algumas declarações críticas aos ataques do presidente Trump ao Judiciário, o que causaria um certo mal-estar no governo. / AFP, REUTERS e NYT

 

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