EFE/Jim Lo Scalzo
EFE/Jim Lo Scalzo

Diretor do FBI teria sido demitido após negar ‘lealdade’ a Trump, diz jornal

James Comey teria rejeitado pedido do presidente e prometido sempre ser ‘honesto’ com ele; porta-voz da Casa Branca afirma que versão não é um ‘relato preciso’

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 08h11

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, quando assumiu o cargo em janeiro, exigiu ao ex-diretor do FBI (Polícia Federal americana), James Comey, "lealdade", mas este apenas lhe ofereceu "honestidade", algo que poderia ter custado seu cargo, segundo publicou o jornal The New York Times nesta sexta-feira, 12.

O diálogo aconteceu durante um jantar privado, uma semana depois da posse de Trump, ocorrida no dia 20 de janeiro, explicou Comey a alguns de seus colegas. Após sua demissão, na terça-feira, eles falaram sob condição de anonimato ao jornal nova-iorquino.

Em um determinado momento da conversa, depois que Trump comemorou sua vitória nas eleições, o presidente pediu para Comey "jurar lealdade". Ele rejeitou o pedido e prometeu que sempre seria "honesto" com o mandatário, mas insistiu que não seria "confiável" no sentido político.

De acordo com a versão do ex-diretor do FBI, insatisfeito com a resposta, Trump pediu mais duas vezes para que ele fizesse o juramento, mas Comey não cedeu. O ex-diretor do FBI acredita que esse jantar foi "um prenúncio de sua queda", segundo o NYT.

Uma porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse ao jornal que a versão de Comey não se trata de um "relato preciso" do que aconteceu no jantar, e o presidente nunca exigiria "lealdade pessoal", mas ao povo e aos EUA.

A alegação de Trump para a demissão de Comey foi de suposta falha na investigação contra a ex-candidata democrata às eleições Hillary Clinton, pelo uso de contas privadas de e-mail quando era secretária de Estado para tratar de assuntos confidenciais.

No entanto, a decisão do presidente tem levantado alguns questionamentos, pois Comey era o responsável por comandar a investigação sobre a suposta interferência da Rússia nas últimas eleições presidenciais, e a relação entre funcionários do Kremlin e membros da campanha eleitoral de Trump.

Na quarta-feira, em uma entrevista à emissora NBC, o líder chamou Comey de "fanfarrão" e disse que o FBI estava "fora de controle" há bastante tempo. 

Imprensa. Nesta sexta-feira, 12, Trump advertiu James Comey a não fazer revelações à imprensa. "James Comey, melhor que não haja 'fitas' de nossas conversas antes que comece a vazar para a imprensa", escreveu o mandatário em sua conta no Twitter.

Na véspera, Trump afirmou que sempre teve a intenção de demitir Comey da chefia do FBI, o que contradiz a informação da Casa Branca de que o presidente agiu por recomendação de altos funcionários da Justiça. "Eu ia despedir sem me importar com as recomendações", afirmou Trump em entrevista à NBC. / EFE e AFP

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