Diretor do FMI divide corte em NY com ladrões e traficantes

Dominique Strauss-Kahn ouviu impassível acusações contra ele, na mesma sala onde se apresentaram outros réus, por tráfico e roubo.

BBC Brasil, BBC

16 de maio de 2011 | 20h03

Com aparência sombria e pensativa, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, ouviu em uma corte nova-iorquina que não terá direito a fiança e seguirá detido.

Segundo a repórter da BBC Laura Trevelyan, que acompanhou a audiência do francês, Strauss-Kahn vestia um sobretudo preto e uma camisa clara, em contraste com os jeans e moletons usados pelos demais réus com quem o diretor do FMI dividiu a Corte Criminal de Manhattan nesta segunda-feira.

A juíza ouviu acusações de tráfico de crack e cocaína, de roubo e de violência e concedeu fianças de US$ 500 a US$ 2 mil, até que chegasse a vez de acompanhar o caso de Strauss-Kahn.

Ele está preso desde o sábado acusado de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro. Seus advogados negaram as acusações.

Conhecido como DSK, o diretor-gerente do FMI posou sem sorrir para o fotógrafo oficial da corte, enquanto jornalistas anotavam cada detalhe de sua aparição judicial.

Pouco antes de sua audiência, ele foi levado da corte e, quando a porta da sala abriu, os repórteres puderam ver a cela onde ele ficou detido. Não é um cenário comum para um membro da elite econômica mundial, cuja instituição empresta dinheiro a países em crise.

A única semelhança entre a audiência desta segunda e as conferências das quais DSK está acostumado a participar são as câmeras fotográficas e de TV como testemunhas dos desdobramentos.

Impassível

O diretor-gerente do FMI se manteve impassível enquanto ouvia os promotores dizerem que a suposta vítima fez uma detalhada descrição das acusações e que exames hospitalares até então confirmavam a história dela.

DSK também ouviu atentamente quando promotores sugeriram que esta não era a primeira vez em que se questionava o comportamento sexual dele.

Os promotores argumentaram, ainda, que a maneira como Strauss-Kahn tentou sair dos EUA, no sábado, mostra que ele estava com pressa de voltar à França - e que, portanto, deveria permanecer preso sem direito a fiança.

DSK foi detido no sábado à tarde, quando já estava sentado na primeira classe de um avião da Air France prestes a decolar para Paris.

A defesa insistiu que DSK não estava tentando fugir e que nem tentaria fazê-lo se recebesse direito à fiança, já que o diretor do FMI tem interesse em limpar seu nome.

Mas a juíza Melissa Jackson decidiu mantê-lo preso até a próxima audiência, em 20 de maio.

Possível álibi

Os advogados de defesa expressaram decepção pela decisão judicial e disseram que a briga contra as acusações de agressão sexual está apenas começando.

DSK, que era aguardado nesta semana em reuniões-chave sobre as crises de dívida em países europeus, passará seu tempo em vez disso sob custódia da Justiça nova-iorquina.

Na corte, começaram a surgir especulações sobre qual o álibi que a defesa apresentará para DSK. A pessoa com quem ele almoçou no sábado deverá confirmar que ele não pretendia fugir dos EUA, dizem seus advogados.

Seria essa pessoa a filha de Strauss-Kahn, a qual vive em Nova York? A dúvida será solucionada nas próximas semanas.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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