Charlie Archambault/Efe
Charlie Archambault/Efe

Diretor do FMI é preso sob acusação de abuso sexual

Dominique Strauss-Kahn teria atacado uma funcionária de hotel em Nova York; francês embarcava para Paris e foi retirado de avião

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Minutos antes de decolar em um voo de Nova York para Paris, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi preso por autoridades americanas dentro de avião da Air France sob a acusação de ter atacado sexualmente uma camareira de um hotel da região do Times Square.

Considerado até ontem como o mais forte adversário para concorrer contra o presidente da França, Nicolas Sarkozy, na eleição presidencial do ano que vem, Strauss-Kahn teria atacado uma camareira de 32 anos quando ela entrou no quarto para fazer a limpeza.

Segundo a polícia, Strauss-Kahn saiu nu do banheiro e teria tentado abusar sexualmente da funcionária. A mulher, cujo nome não foi divulgado, conseguiu se desvencilhar e informou outros funcionários do hotel, que chamaram os policiais.

Autoridades policiais americanas apuraram que o executivo embarcaria para a França e agiram rapidamente para prendê-lo. A camareira sofreu ferimentos leves.

Até a noite de ontem, o diretor do FMI não havia se manifestado. Por ser noite de sábado em Washington, a entidade não tinha destacado ninguém para comentar o episódio e, provavelmente, esperaria os fatos serem esclarecidos para divulgar uma nota. Na França, madrugada do domingo, ninguém do governo ou da oposição deu declarações.

No avião. Strauss-Kahn estava detido na noite de ontem em uma unidade da polícia de Nova York, onde seria interrogado. A prisão ocorreu às 16h45 em Nova York (17h45 de Brasília). O comandante do voo da Air France já havia anunciado o fechamento das portas do avião quando recebeu a ordem para parar. Oficiais de justiça americanos entraram no avião e, diante de todos os passageiros, prenderam o homem mais poderoso do FMI.

Strauss-Kahn seria levado à presença de um juiz ainda na noite de ontem. "Ele será questionado sobre a sua conexão com o ataque sexual contra uma camareira em um hotel no início da tarde", disse o porta-voz da polícia, Paul Browne.

Um dos mais respeitados economistas da França, Strauss-Kahn entrou para a política nos anos 1980. Além de deputado, exerceu o cargo de ministro das Finanças durante o governo do premiê Lionel Jospin até 1999. No FMI desde 2007, ganhou notoriedade internacional, apesar de ter sido criticado por não ter antecipado a crise financeira que eclodiu no ano seguinte.

Neste período, o diretor do FMI foi acusado de ter mantido relações com uma de suas assessoras, Piroska Nagy, húngara, economista e funcionária do FMI. Na época, ele disse que lamentava muito o incidente e aceitava a responsabilidade por isso. "Pedi desculpas por isso ao Conselho, à equipe do FMI e à minha família."

Casado com Anne Sinclair, Strauss-Kahn passou parte de sua infância no Marrocos. Na última eleição francesa, chegou a tentar a candidatura, mas acabou não sendo o escolhido. Desta vez, ele era considerado o favorito para a indicação do Partido Socialista e estava à frente de Nicolas Sarkozy nas pesquisas.

Caso não consiga provar inocência no episódio, o economista pode ver o fim de suas ambições eleitorais na França no que deve ser o maior escândalo político do país nos últimos anos, alterando o cenário para a disputa do ano que vem. Sarkozy, que enfrentava queda de popularidade, tende a ser o mais favorecido e os socialistas precisarão se unir em torno de outro nome.

Hoje, Strauss-Kahn se reuniria com a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, para discutir questões ligadas à crise econômica de países europeus como Grécia e Portugal. O diretor do FMI também participaria de encontro, em Bruxelas, com autoridades europeias.

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