REUTERS/Eric Thayer
REUTERS/Eric Thayer

Donald Trump dá sua 3ª versão sobre demissão de diretor do FBI

Em entrevista na TV, presidente americano diz que ‘sempre’ quis demitir James Comey, segundo ele, ‘um fanfarrão’

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2017 | 13h58
Atualizado 11 Maio 2017 | 22h59

WASHINGTON - Em entrevista à rede NBC, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu nesta quinta-feira, 11, sua terceira versão diferente, em 48 horas, sobre a decisão de demitir o diretor do FBI, James Comey, que comandava uma investigação sobre a campanha de Trump e a interferência da Rússia nas eleições do ano passado.

Quando demitiu Comey, na terça-feira, Trump enviou uma carta dizendo que a decisão seguia a recomendação do vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein, uma vez que o FBI teria errado na condução das investigações sobre o uso irregular de e-mails por Hillary Clinton – a notícia de que a democrata estava sob investigação do FBI foi apontada como decisiva para a derrota nas eleições.

Em menos de 24 horas, a história já havia sido desmontada. Primeiro, porque imagens da campanha mostraram o próprio Trump elogiando Comey e as investigações sobre Hillary. Depois, relatos de Rosenstein, ameaçando renunciar em razão de seu relatório ter sido usado como pretexto, sepultaram a primeira versão.

Aliados de Trump começaram então a afirmar que a demissão não tinha relação com a investigação sobre a Rússia, considerada sem importância pelo FBI, e que o problema de Comey era o fato de ele ter perdido a confiança dos agentes. Nesta quinta-feira, no entanto, em depoimento à Comissão de Inteligência do Senado, o vice-diretor do FBI,  Andy McCabe, desmentiu que o chefe fosse impopular. Aos senadores, ele disse que Comey era “respeitado” e que a investigação sobre os contatos entre aliados de Trump e os russos era prioridade.

Nesta quinta-feira, Trump mudou de novo a história. “Eu ia demitir (Comey) independentemente da recomendação (de Rosenstein). Ele é um fanfarrão”, disse o presidente ao apresentador Lester Holt, que pressionou Trump a respeito de um fato curioso descrito por ele na carta em que ele justifica a demissão de Comey: em três ocasiões, o então diretor do FBI havia a Trump que ele não era alvo da investigação – uma atitude pouco usual.

Segundo o presidente, a primeira vez que Comey afirmou que ele   não era investigado foi durante um jantar, em janeiro. As outras duas foram em telefonemas, sendo que uma dessas ligações foi feita pelo próprio Trump  ao diretor do FBI, para questionar se ele era ou não alvo da investigação.

Ontem, o New York Times publicou mais detalhes da demissão. Segundo o jornal, no primeiro jantar, em janeiro,  Trump questionou Comey se ele seria ou não “leal” a ele – pela lei, o chefe do FBI deve ter uma atuação independente. A resposta negativa teria enfurecido o presidente e influenciado sua decisão. / AP, NYT e REUTERS

 

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