Diretor paraguaio de Itaipu anuncia acordo com Brasil

Conteúdo deve ser divulgado hoje, quando Mateo Balmelli assume oficialmente o cargo

Assunção, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

O diretor designado em Assunção da Hidrelétrica de Itaipu Binacional, Carlos Mateo Balmelli, anunciou ontem ter assinado com o futuro chefe do Brasil na usina, Jorge Samek, um acordo sobre as reivindicações em relação à revisão do Tratado de Itaipu. "Estamos avançando, demos já passos importantes para o Paraguai", afirmou Balmelli após referendar o documento no escritório de Itaipu na capital paraguaia, segundo comunicado da assessoria de comunicação da hidrelétrica.O conteúdo do acordo, segundo Balmelli, será divulgado hoje em Assunção, durante cerimônia em que assumirá oficialmente o cargo. Ele afirmou que o pacto visa a "encaminhar as tão complicadas reivindicações para o país, com o objetivo de receber maiores lucros e de que a energia produzida por Itaipu possa chegar a todos os paraguaios".O novo governo do Paraguai, presidido desde sexta-feira pelo ex-bispo Fernando Lugo, reivindica que o Brasil pague mais pelo excedente energético produzido pela parte paraguaia da usina, que os dois países compartilham no Rio Paraná. A revisão do acordo foi uma das principais promessas de campanha de Lugo. Ele reclama um preço melhor pela energia que o Paraguai vende a seu principal sócio comercial. Ele acusa o Brasil de exploração ao pagar menos de US$ 3 por megawatt de energia produzida por Itaipu. O preço se refere à energia não usada pelos paraguaios, que é revendida para o Brasil. O preço pago pelo Brasil, na realidade, é de US$ 45. No entanto, Brasília desconta desse valor o pagamento da enorme dívida contraída para a construção da usina, que ainda não foi totalmente paga. Inicialmente, o Brasil não estava disposto a pagar mais pela energia e nem em liberar o Paraguai para vender o excedente a outros países. O Paraguai utiliza 5% da eletricidade produzida por Itaipu para cobrir 90% de sua demanda de energia e o restante cede ao Brasil que, em 2007, pagou US$ 307 milhões em royalties.Defensores da mudança argumentam que se o Paraguai pudesse vender a terceiros o excedente de energia receberia entre cinco ou seis vezes mais. O governo paraguaio também reclama revisões no tratado que deu origem à construção da represa, em 1973. O Brasil considerava que qualquer modificação só seria possível após o vencimento do contrato, em 2023. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve na posse de Lugo, disse na sexta-feira que o assunto só seria discutido na visita que o novo presidente fará ao Brasil, em data ainda não definida.

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