Diretora de ONG que fiscaliza eleições é presa na Rússia

A líder do único órgão independente de monitoração do sistema eleitoral na Rússia ficou presa durante 12 horas em um aeroporto de Moscou hoje, em mais um sinal da pressão do governo sobre um fiscalizador que tem milhares documentos sobre violações das leis eleitorais. Amanhã serão realizadas eleições parlamentares no país.

AE, Agência Estado

03 de dezembro de 2011 | 12h22

Lilya Shibanova, da organização não governamental Golos, ficou detida no aeroporto Sheremetyevo após se recusar a entregar seu computador portátil a agentes de segurança na noite de ontem (horário local), segundo informou o vice-diretor do grupo, Grigory Melkonyants. Ela foi liberada após entregar o computador. "A prisão foi politicamente motivada", disse Melkonyants. Segundo ele, a equipe do grupo em todo o país "enfrenta ameaças e pressão psicológica".

A Golos compilou quase 5,3 mil reclamações de eleitores durante a campanha, a maioria relacionada ao Rússia Unida, o partido que domina o Kremlin e apoia o primeiro-ministro Vladimir Putin. Quase um terço dos eleitores que reclamaram dizem que seus patrões e professores estão pressionando para que eles votem no partido.

Ontem, um tribunal distrital de Moscou emitiu uma decisão multando a Golos em US$ 1 mil, por violar uma lei que proíbe a publicação de pesquisas de opinião pública a partir de cinco dias antes das eleições. O grupo tem sido pressionado fortemente desde o último domingo, quando Putin acusou governos do Ocidente de tentar influenciar as eleições no país, por meio do financiamento de ONGs. A Golos, cujo nome significa "vote", recebe doações de instituições dos Estados Unidos e da Europa.

A emissora de televisão NTV, controlada pelo Kremlin, exibiu na noite de ontem um programa de 30 minutos atacando diretamente a Golos. O programa exibiu fotos de maletas cheias de dólares e acusou a ONG de apoiar explicitamente partidos da oposição e tentar desacreditar as eleições.

Somente sete partidos aprovados pelo Kremlin foram liberados para apresentar candidatos para o Parlamento este ano, enquanto os principais grupos da oposição não puderam se registrar e foram banidos da campanha. Tanto Putin como o presidente Dmitry Medvedev querem que o Rússia Unida mantenha a maioria esmagadora no Parlamento, afirmando que uma Casa formanda por grupos políticos diversos seria incapaz de tomar decisões.

Segundo uma pesquisa independente divulgada na semana passada pelo Levada Center, o Rússia Unida deve receber 53% dos votos nas eleições de amanhã, abaixo da marca de 64% que recebeu em 2007. Com isso, o partido perderia a maioria de dois terços que o permite aprovar emendas à Constituição. As informações são da Associated Press.

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