Diretora do Departamento de Mulheres é assassinada em Kandahar

CABUL - A diretora do Departamento de Assuntos de Mulheres do Governo provincial de Kandahar (sul do Afeganistão) foi assassinada nesta segunda-feira em frente a sua residência por desconhecidos, informou o porta-voz do Ministério de Interior afegão, Zamary Bashary.Safia Ama Jan foi assassinada a tiros por dois homens que, montados em uma motocicleta, dispararam contra ela quando saía de sua casa. Seu motorista ficou ferido no ataque. Funeral Numa mesquita de Kandahar, centenas de pessoas compareceram na noite de hoje, pelo horário local, aos funerais de Ama Jan, inclusive o governador da província e líderes tribais.Num telefonema à Associated Press, um homem que identificou-se como mulá Sadullah, um comandante local do Taleban, reivindicou o assassinato em nome do grupo. Não foi possível, porém, confirmar a alegação junto a outras fontes. Ama Jan era conhecida por sua atuação na defesa dos direitos das mulheres em Kandahar, um bastião da milícia fundamentalista islâmica Taleban.Seu secretário comentou hoje que o mais importante projeto de Ama Jan em andamento era a abertura de escolas profissionalizantes. "Ela estava se empenhando ao máximo para melhorar a educação das mulheres", disse Abdullah Khan.Apenas em Kandahar, Ama Jan havia aberto seis escolas profissionalizantes nas quais quase mil mulheres aprendiam a cozinhar e vendiam seus quitutes nos mercados. Também havia cursos de corte e costura. As alunas das escolas de Ama Jan já vendiam suas roupas para outros países, afirmou Khan.Durante o regime ultra-integralista islâmico dos talebans, que governou o país entre 1996 e 2001, as mulheres foram totalmente marginalizadas da vida social, e se viram praticamente confinadas em suas casas.Desde a queda do regime, a situação das mulheres no país começou a melhorar e atualmente a província de Bamiyan, no centro do país, tem uma governadora.No entanto, no sul do país os rebeldes talebans ainda mantêm uma forte presença e desde o começo deste ano intensificaram seus atentados contra todos os que pretendem levar o país ao caminho da liberalização e democracia.

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