Rodrigo Abd/AP
Rodrigo Abd/AP

Diretora do FMI cancela viagem à Arábia Saudita após morte de jornalista

Christine Lagarde suspende participação em conferência internacional por causa de assassinato de Jamal Khashoggi e aumenta isolamento do reino

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2018 | 20h22

WASHINGTON - A crise envolvendo o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi fez a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, cancelar nesta quarta-feira, 17, uma viagem à Arábia Saudita, onde ela participaria da conferência Iniciativa de Investimento Futuro, conhecido como “Davos do Deserto”, entre dos dias 23 e 25. “A viagem previamente programada da diretora-geral ao Oriente Médio foi adiada”, afirmou um porta-voz do FMI, sem dar mais explicações.

A conferência tem sido boicotada por líderes empresariais e meios de comunicação desde o desaparecimento de Khashoggi. Até agora, entre as principais desistências estão os CEOs Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, Larry Fink, do Blackrock, Ajay Banga, do MasterCard, John Flint, do HSBC, William Winters, do Standard Chartered, Dara Khosrowshahi, do Uber. New York Times, Financial Times, CNN e Bloomberg retiraram seu apoio ao encontro. 

No sábado, durante reunião anual do FMI em Bali, Indonésia, Lagarde havia garantido que viajaria a Riad para a conferência. “Os direitos humanos e a liberdade de informação são direitos essenciais e coisas horríveis foram relatadas. Estou horrorizada”, disse ela em Bali. “Mas tenho de dirigir o FMI em todos os rincões do mundo e com muitos governos. Quando visito um país, sempre digo o que penso. Então, neste momento, minha intenção não é mudar meus planos. Mas ficarei muito atenta às informações que virão nos próximos dias.”

Com as últimas desistências confirmadas, resta ainda saber o que fará o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin. Ele disse que decidirá nesta quinta-feira, 17, se vai a Riad, após o retorno da Turquia do secretário de Estado, Mike Pompeo. O presidente Donald Trum havia advertido que a presença de Mnuchin poderia ser cancelada até o fim de semana, com o avanço das investigações. / AFP

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