Dirigente árabe pede que EUA apliquem sanções contra Israel

A aparente admissão pelo premier israelense de que o Estado judeu possui um arsenal nuclear não declarado provocou nesta terça-feira a primeira reação entre um alto dirigente árabe. Em entrevista a repórteres durante um encontro entre membros da Otan e do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), o presidente desta organização, que agrupa os países árabes do Golfo Pérsico, disse que os Estados Unidos e a comunidade internacional deveriam impor sanções ao Estado judeu.Segundo o secretário-geral do CCG, Abdul Rahman al-Attiyah, os "Estados Unidos não deveriam usar duas medidas diferentes, uma vez que pede por sanções contra países cujos programas nucleares não passam de projetos de armas nucleares".Attiyah fez o comentário em resposta a perguntas acerca das declarações do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, que na segunda feira pareceu admitir as capacidades nucleares israelenses. Em uma entrevista a uma TV alemã, Olmert listou Israel entre as potências nucleares mundiais - uma violação à política israelense de não admitir oficialmente a existência de seu arsenal nuclear. O assunto gerou polêmica em Israel.Trata-se da primeira reação de uma autoridade árabe de alto escalão sobre o assunto. Pesos pesados como o Egito, a Arábia Saudita e a Liga Árabe ainda não comentaram. Os Estados Unidos deveriam "tentar implementar as resoluções internacionais, as leis internacionais e o Capítulo 7", acrescentou Attiyah, referindo-se à seção da Carta da ONU que autoriza a aplicação de sanções e a ação militar contra Estados que ameacem a paz mundial.CooperaçãoDiplomata catariano, Attiyah participava de uma conferência no Kuwait para a cooperação entre os membros da Otan e os Estados ricos em petróleo do Golfo. "Acho que é o momento certo para que a comunidade internacional veja que a paz e a segurança estão ameaçadas por esse anúncio", disse o diplomata.O encontro com a Otan acontece após uma reunião do CCG. O grupo é formado pelo Kuwait, Arábia Saudita, Barém, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã.Após a conferência, os países do Golfo expressaram preocupação sobre o programa nuclear iraniano. Estima-se também que essas nações temam o fato de abrigarem bases militares americanas. Para essas nações, caso os Estados Unidos ataquem Teerã, eles seriam os primeiros a sofrerem qualquer represália iraniana.

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