Dirigente chinês diz que PC punirá corruptos na hierarquia

Um dirigente do Partido Comunista da China admitiu, durante sessão do congresso que a agremiação realiza nesta semana, que a corrupção é um problema grave no país, e advertiu seus correligionários de que uma posição de liderança no partido não torna ninguém imune à punição por suborno. Os comentários de Wei Jianxing, citados nesta segunda-feira pelos meios de comunicação estatais, foram um reconhecimento pouco usual, nos altos escalões, de que existe corrupção no PC, cuja hierarquia tem sido protegida em meio a uma campanha contra a corrupção que já provocou a detenção de milhares de funcionários. "Qualquer membro corrupto, esteja ele em posição alta ou baixa, vai enfrentar um grave castigo, desde que sua conduta seja exposta", disse no domingo Wei, que é membro do Politburo e chefe da comissão que investiga e impõe penalidades aos corruptos. Os comentários de Wei foram publicados nos principais jornais chineses, como parte de uma campanha publicitária maciça destinada a prestar contas à opinião pública a respeito dos abusos dos funcionários, que ameaçam abalar a estabilidade do regime comunista. A luta contra a corrupção é um dos temas-chave do congresso, que deverá terminar com a nomeação do sucessor do presidente Jiang Zemin, de 76 anos, como dirigente do partido. Além disso, devem ser aprovadas as mudanças políticas necessárias para avançar no processo de reforma econômica nos moldes do capitalismo.Os principais encarregados de planejar a política econômica disseram, no domingo, que esperam que várias empresas estatais sejam mais e mais reduzidas. No entanto, indicaram que os dirigentes comunistas desejam manter um papel de liderança para as estatais, dentro da economia híbrida chinesa. "A China tenta construir uma ´economia de mercado socialista´, por isso devemos perseverar na construção de um sistema econômico no qual a propriedade pública seja o principal", disse Zeng Peiyan, ministro da Comissão de Planejamento do Desenvolvimento Estatal. Funcionários disseram que o governo entregará mais setores da economia às empresas privadas, mediante o fechamento ou venda de firmas estatais. Mais de 50.000 estatais foram fechadas ou vendidas, deixando 25 milhões de pessoas desempregadas. Esses cortes provocaram no governo o temor de tensões entre os trabalhadores.

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