Dirigente judaico critica autoridades argentinas

Um dirigente do Congresso Judaico Mundial (CJM) criticou nesta segunda-feira as autoridades argentinas por não terem esclarecido dois mortíferos atentados terroristas anti-semitas ocorridos no país na década passada, que causaram a morte de 116 pessoas.Israel Singer, presidente da Junta Executiva do CJM, chegou a Buenos Aires um dia depois de a coletividade judaica argentina lembrar o 10º aniversário do atentado que destruiu o edifício da embaixda de Israel, em pleno centro da cidade. No ataque morreram 22 pessoas.Mais de dois anos depois, em 18 de julho de 1994, outro atentado similar demoliu o edifício de sete andares da Associação Mutual Israelita-Argentina (AMIA), causando a morte de 94 pessoas.Em entrevista à imprensa concedida na reconstruída sede da AMIA, em pleno bairro judeu de Buenos Aires, Singer acusou os sucessivos governos argentinos de "não terem adotado nenhuma medida efetiva" para encontrar os responsáveis pelos atentados.Disse também que a "atitude branda" da Argentina em relação ao terrorismo contribuiu para dar alento ao terrorismo internacional. Apesar das 4.300 páginas de evidências acumuladas no processo escrito, das declarações de 3.195 testemunhas e gravações de 23 linhas telefônicas, ninguém foi preso em conexão com o atentado à embaixada israelense.Quinze ex-policiais e cinco civis foram, em compensação, detidos e processados pelo ataque contra a AMIA, mas nenhum deles foi acusado por ter perpetrado o atentado e, sim, por delitos a ele ligados, como a comercialização do veículo utilizado como carro-bomba.Muitos integrantes da comunidade judaica acusam os tribunais, a polícia e vários governos argentinos de não cumprirem com seus deveres e de terem acobertado a investigação, por temor de que seus resultados fossem comprometedores para as autoridades.Neste domingo, durante a cerimônia que lembrou o 10º aniversário do ataque à embaixada, numerosos familiares das vítimas vaiaram e gritaram palavras hostis quando o ministro da Justiça argentino, Jorge Vanossi, falou em nome do governo.Singer disse também estar preocupado com a sorte dos 220.000 judeus argentinos, que enfrentam dificuldades com a crise econômica do país. Advertiu que a recessão econômica, que se arrasta desde 1998, criou uma "situação de insegurança" que poderia gerar uma onda de anti-semitismo.

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