Dirigente nega que jovens protestavam contra primeira-dama

Membro do Comitê Estudantil diz que ativistas não sabiam de evento e cartel não teve relação com o caso

AYOTZINAPA, MÉXICO, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2014 | 02h02

Em Iguala, a cidade onde os 43 estudantes de Ayotzinapa desapareceram, acredita-se que eles tenham ido até lá na noite fatídica de 26 de setembro para perturbar a festa de apresentação dos resultados do trabalho de assistência social da primeira-dama, María de los Ángeles Pineda.

Eric Manuel Rodríguez, membro do Comitê Estudantil da Escola Normal de Ayotzinapa, onde os jovens estudavam, garante que eles nem sabiam do evento e o ônibus em que viajavam não se aproximou da praça central da cidade de 150 mil habitantes.

De acordo com o líder estudantil, cerca de 60 jovens partiram no dia em um ônibus para "tomar" outros dois ônibus, que seriam utilizados na marcha do dia 2 de outubro na Cidade do México para lembrar o Massacre de Tlatelolco (também de estudantes, em 1968).

"Eles ficaram no trevo de Huitzuco, onde começaram a fazer uma coleta, também. Em nenhum momento entraram em Iguala", contou Rodríguez. "Foram deixar os motoristas dos ônibus no terminal e, na volta, a polícia não os deixou passar", relatou o líder estudantil.

"É pura mentira o que a mídia diz, que íamos obstruir o informe da primeira-dama", assegurou Rodríguez. "Nunca fomos protestar em Iguala. É um governo municipal, não atende nossas reivindicações. Fazemos marchas constantes em Chilpancingo (capital do Estado de Guerrero)."

Conflito. O líder estudantil reconheceu, no entanto, que "existia um conflito" entre os estudantes e o prefeito José Luís Abarca, acusado de torturar e matar Arturo Hernández Cardona, líder da organização de esquerda Unidade Popular, em maio de 2013.

Hernández havia deixado a administração do governador de Guerrero, Ángel Aguirre, aliado de Abarca, em protesto contra a morte de outros dois estudantes da Escola Normal de Ayotzinapa ocorrida em dezembro de 2011. Eles participavam de um bloqueio da Rodovia do Sol, na entrada de Chilpancingo, para exigir mais verbas para a escola, quando foram reprimidos pela polícia.

Rodríguez não acredita na participação do cartel Guerreros Unidos no episódio do desaparecimento dos 43 estudantes. "Essa versão de que os companheiros foram entregues ao crime organizado pode ser uma maneira de lavar as mãos, jogando a culpa no crime organizado. Como habitante de Guerrero, eu nunca tinha ouvido falar dessa organização criminosa. Para nós, foi o prefeito, com a participação do Estado".

Abarca e a mulher foram presos. O ex-prefeito é acusado pelo Ministério Público de ser mentor do crime. / L.S.

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