Dirigente regional de partido de oposição é presa na Birmânia

Não é a primeira vez que Win Mya Mya é presa. Ela foi detida por vários meses em 2001-2002 e 2003-2004

EFE,

30 de setembro de 2007 | 05h46

A presidente do partido Liga Nacional para a Democracia (LND) na cidade birmanesa de Mandalay, Win Mya Mya, foi presa na noite do último sábado, 29, pelas forças de segurança, por ligação com as manifestações que desafiam a ditadura militar no país há mais de um mês. A irmã da política, Tin Win Yee, disse a rádio "Mizzima" que ela já esperava ser presa e que tinha preparado uma trouxa de roupas para ser levada com assim que a Polícia batesse à porta de sua casa em Mandalay (norte). Não é a primeira vez que Win Mya Mya, de 58 anos, é presa. Ela foi detida por vários meses em 2001-2002 e 2003-2004. O regime militar birmanês já prendeu mais de 1.200 pessoas, entre elas mil monges budistas, desde a decretação do toque de recolher e a proibição de reuniões públicas em Yangun e Mandalay, as duas maiores cidades do país, na terça-feira passada. Entre a noite de quarta e madrugada de quinta-feira, policiais e soldados prenderam o porta-voz da LND, Mynt Thein, e o editor da revista "The Irrawaddy", da dissidência, Hla Pay, além de 800 monges em operações nos mosteiros de Yangun. Mynt Thein e Hla Pay eram pessoas de confiança da Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, secretária-geral da LND, o único partido político que resiste à pressão do regime militar. Desde que impôs as limitações às liberdades civis, a Junta Militar birmanesa tem reprimido manifestações antigovernistas com violência. Soldados cercaram e isolaram os mosteiros e reforçaram a segurança em toda a cidade. Entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, 20.000 soldados entraram em Yangun, segundo fontes da dissidência. As manifestações na Birmânia (que o regime militar pede que seja chamada de "Mianmar") começaram em 19 de agosto em resposta ao aumento do preço dos combustíveis. Em 17 de setembro, os monges budistas se colocaram à frente dos protestos, após o prazo dado ao Governo para se desculpar com os religiosos por espancar monges nos protestos. A eles se uniram milhares de pessoas que se chegaram a formar passeatas pacíficas de mais de 300.000 manifestantes em todo o país, dia 24, e mais de 150.000 só em Yangun, dia 25. Nesta data, foram proibidas as reuniões públicas e começou a repressão brutal. Desde então, pelo menos 16 pessoas morreram, entre elas dois estrangeiros e vários monges, com tiros e cassetetes dos soldados. A Birmânia é governada pelos militares há 45 anos e não realiza eleições parlamentares desde 1990.

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