REUTERS/Fabrizio Bensch
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Dirigentes conservadores alemães pressionam Merkel por maior controle de refugiados

Após ataques recentes, chanceler alemã é criticada por sua política migratória a um ano das eleições legislativas e em um momento em que a direita populista ganha popularidade

O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2016 | 10h48

BERLIM - Depois dos atentados e ataques nos últimos dias na Alemanha, várias vozes pedem que o controle dos refugiados seja intensificado, aumentando a pressão sobre a chanceler Angela Merkel com relação à política de acolhida aos refugiados.

Os dirigentes conservadores da Baviera, no sul da Alemanha - onde ocorreram os ataques cuja autoria foi reivindicada pelo grupo Estado Islâmico (EI) - voltaram a expressar suas críticas ao governo e a pedir mais firmeza em temas migratórios.

"O terrorismo islâmico chegou à Alemanha", afirmou o presidente da União Social-Cristã (CSU), Horst Seehofer. "A população tem medo e precisa encontrar uma resposta por parte dos líderes políticos".

A formação conservadora, aliada de Merkel, expressa há um ano suas diferenças com o governo quanto à política de abertura dos solicitantes de asilo.

A União Democrata-Cristã (CDU) identificou uma série de petições que esperam ser analisadas. Elas pedem um controle maior dos abrigos de refugiados, mais contribuições ao Exército para proteger a população e uma nova discussão do tema das expulsões.

"Temos que reduzir os obstáculos para as expulsões depois dos delitos", afirmou o ministro do Interior da Baviera, Joachim Herrmann.

A direita populista, que tem se mantido em um segundo plano, denunciou a falta de ação das autoridades. "O que mais deve acontecer para que comecemos a ver o que está ocorrendo no nosso país?", questionou Frauke Petry, líder do partido populista Alternativa para a Alemanha (AfD).

Veja abaixo: Agressor da Alemanha aparece em vídeo

O país ficou abalado depois que um solicitante de asilo sírio - que havia jurado lealdade ao EI - morreu ao se explodir nas proximidades de um festival de música pop na pequena cidade de Ansbach. O homem-bomba tinha 27 anos e sofria de problemas psicológicos. Ele teve seu pedido de asilo negado.

Em 18 de julho, um solicitante de asilo afegão (talvez paquistanês, segundo a polícia) de 17 anos feriu com um machado cinco pessoas em um trem regional em Wurtzburgo, em um ato cuja autoria também foi reivindicada pelo EI.

Nos dois casos, as autoridades não puderam detectar o rápido processo de radicalização.

Pressão. O país, que acolhe mais de um milhão de imigrantes desde 2015, manteve até agora as portas abertas para os refugiados sírios. Mais de 90% dos solicitantes conseguem a autorização para ficar e, até pouco tempo atrás, não precisavam passar por uma entrevista.

Mais de 200 mil requerentes de asilo deveriam ser conduzidos até a fronteira, mas ainda continuam no país, observou o especialista para questões internas da CDU, Armin Schuster.

Todas as críticas visam a chanceler Angela Merkel, que, com a exceção de uma intervenção pública após o massacre em Munique (não relacionada diretamente ao extremismo), permaneceu em silêncio.

Conhecida por sua extrema prudência nos momentos de crise, Merkel sabe que tem muita coisa em risco a um ano das eleições legislativas e em um momento em que a direita populista do AfD ganha popularidade.

Nos últimos meses, ela conseguiu recuperar parte da popularidade perdida em 2015 em razão da crise migratória. "No entanto, é precisamente este tipo de situação em que sua atitude é problemática", indicou Martin Emmer, professor da Universidade Livre de Berlim. "As pessoas têm medo, estão preocupadas e, nestas circunstâncias, precisamos de uma liderança que esteja mais afinada com o tema das emoções do que com a gestão", explicou.

A chanceler programou uma coletiva de imprensa para quinta-feira. As questões levantadas pelos recentes ataques voltam a abrir o debate sobre a imigração, "o que a chanceler mais teme", observou na edição de terça o jornal alemão Süddeutsche Zeitung. "Se o AfD conseguir ganhar o reduto eleitoral de Merkel, o debate sobre sua política voltará à berlinda", concluiu. / AFP

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