Discretamente, Cairo e Amã apoiam diálogo

NOVA YORK

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

Quase ninguém fala neles, mas o Egito e a Jordânia são atores coadjuvantes considerados fundamentais nas negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina, mediadas pelos Estados Unidos. Os dois foram escolhidos para participar do processo em detrimento de aliados americanos, como a França e a Grã Bretanha, e outras potências, como a Rússia e a China.

O Brasil e a Turquia, que também haviam se oferecido para participar das negociações, foram deixados de fora. Os brasileiros foram ignorados. Já a Turquia é guardada pelos EUA para ajudar em uma possível negociação entre Israel e a Síria. O presidente sírio, Bashar al Assad, exige que os turcos voltem a ser os mediadores, como ocorria até o fim de 2008.

O Egito e a Jordânia também representam indiretamente a Liga Árabe. Seu envolvimento nas negociações conta com o aval de outros países árabes que, liderados pela Arábia Saudita, já disseram que estabeleceriam relações com israelenses caso houvesse uma retirada dos territórios ocupados em 1967 - Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e Colinas do Golan.

Atualmente, os países do Oriente Médio, que incluem, além de árabes e Israel, a Turquia e o Irã, dividem-se em três grupos. O primeiro é composto pelos que têm relação com Israel - Turquia, Jordânia e Egito. Os países do Golfo Pérsico e do Norte da África foram um segundo grupo, dos que não mantêm relações com Israel, mas tampouco têm conflitos. Em alguns casos, chegam a estabelecer relações comerciais. Para completar, existem os países em estado de guerra - Irã, Síria e Líbano. Os dois últimos tem disputas territoriais com os israelenses.

A estratégia americana e de Israel é um amplo acordo de paz com todos os países árabes. Dessa forma, o Irã seria isolado, tendo como aliados apenas grupos como o Hezbollah e o Hamas. Para chegar a isso, segundo dizem alguns analistas, seria necessário um passo corajoso do rei Abdullah, da Arábia Saudita, que poderia convidar Netanyahu para um encontro. Essa possibilidade ainda está descartada.

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