Discurso anti-imigração põe partido em saia-justa

Republicanos amenizam fala contra ilegais ao fazer convenção na Flórida, escolhida por apresentar equilíbrio com democratas

TAMPA, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h08

A escolha da Flórida como palco de sua convenção nacional expôs o Partido Republicano a um inevitável constrangimento: explicar a 23% da população local, de origem latino-americana, porque incluiu ideias tão pouco simpáticas aos imigrantes ilegais em sua plataforma para as eleições de 6 de novembro. O desconcerto tende a afetar as ambições de Mitt Romney, autor da proposta de "autodeportação" e candidato do partido à Casa Branca, de vencer nesse Estado-chave.

Em uma propaganda de rádio que começou a ser divulgada ontem na Flórida, o único dos cinco filhos de Romney a atuar como missionário mórmon na América Latina, Craig, diz em espanhol que seu pai valoriza o trabalho dos imigrantes e "sabe como resgatar o sonho americano".

Nos seus comícios, Romney mostra-se mais conectado ao eleitor conservador e promete vetar o decreto que facilita a legalização de filhos de imigrantes, assinado este ano por Barack Obama. Confrontado com a incoerência entre essas promessas e a ansiedade de Romney em atrair o voto hispânico, o ex-governador republicano de New Hampshire John Sununo, nascido em Havana, mostrou-se impiedoso. "O que um presidente declara, o outro pode mudar", afirmou, referindo-se ao decreto. Em seguida, pediu desculpas por seus erros ao falar em espanhol, o idioma que aprendera "na cozinha".

Atualmente, Romney e Obama estão tecnicamente empatados na Flórida, onde 23% da população e 13,5% dos eleitores são latinos. Desse último universo, 39% estão registrados como democratas e 30% como republicanos. Com 29 delegados, o Estado está entre os considerados decisivos na eleição. / D.C.M

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