Discurso de Bibi sobre Jerusalém irrita palestinos

Árabes reivindicam parte oriental da cidade, tomada por Israel em 1967

Reuters e AP, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, afirmou ontem que não aceita a divisão de Jerusalém, que deve permanecer inteira como capital do Estado judeu. "Uma Jerusalém unificada é a capital de Israel. Ela nunca será dividida novamente", disse o premiê em uma cerimônia para marcar os 42 anos da tomada de Jerusalém Oriental, controlada pela Jordânia até 1967.A declaração foi feita um dia depois de Netanyahu voltar de Washington, onde conversou com o presidente americano, Barack Obama, sobre o processo de paz no Oriente Médio. Obama pediu o fim da expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia e endossou a criação de um Estado palestino. O governo americano também defende que o status futuro de Jerusalém deve ser negociado. A afirmação de Bibi, que tem evitado se manifestar sobre a questão do Estado palestino, aumenta a tensão com Washington.Netanyahu, líder de uma coalizão de direita que está há dois meses no poder, disse que a soberania israelense sobre o território de Jerusalém assegura a liberdade de práticas religiosas e o acesso aos locais sagrados para judeus, muçulmanos e cristãos. A declaração irritou os líderes palestinos. "Netanyahu está dizendo que a situação de conflito será eterna", afirmou o negociador palestino Saeb Erekat.Os palestinos defendem a criação de um Estado que tenha Jerusalém Oriental como capital. "A ocupação de Jerusalém Oriental é ilegal e um grande obstáculo para a paz", disse Rafik Hussein, conselheiro do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. A disputa pela cidade sagrada já atrapalhou várias tentativas de acordo. Governos israelenses anteriores tinham se mostrado dispostos a ceder alguns bairros árabes, mas o principal ponto de discórdia é o controle da Esplanada das Mesquitas, conhecida como Monte do Templo pelos judeus.ASSENTAMENTOEm um gesto de boa vontade para com a Casa Branca, o governo israelense enviou ontem soldados para desalojar colonos de um pequeno posto avançado na Cisjordânia. Mas logo após a saída dos soldados, os colonos retornaram ao local.

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