AL DRAGO /EFE
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Discurso de Biden: leia a íntegra da fala do presidente americano na cúpula do clima 2021

Como forma de mostrar aos demais países que os EUA 'decidiram agir' e pressioná-los a fazer mais para conter os efeitos do aquecimento global, Biden anunciou meta de cortar pela metade as emissões até 2030

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2021 | 18h33

O presidente americano, Joe Biden, abriu nesta quinta-feira, 22, a Cúpula de Líderes sobre o Clima, que convocou quando assumiu a Casa Branca, para pedir que os países deem passos ainda neste ano para reduzir as emissões de carbono mundiais.

Como forma de mostrar aos demais países que os EUA "decidiram agir" e pressioná-los a fazer mais para conter os efeitos do aquecimento global, Biden anunciou que o país irá cortar pela metade as emissões de gases causadores de efeito estufa até 2030. Leia a íntegra do seu discurso: 

Obrigado, senhora vice-presidente,

Bom dia a todos os nossos colegas ao redor do mundo, os líderes mundiais que estão participando desta cúpula. Agradeço aos senhores. Os senhores sabem, sua liderança nesta questão é uma declaração - para o povo de sua nação e para o povo de todas as nações, especialmente para nossos jovens - de que estamos prontos para enfrentar este momento. E enfrentar este momento é mais do que preservar nosso planeta: é também providenciar um futuro melhor para todos nós.

É por isso que, quando as pessoas falam em clima, eu penso em empregos. Dentro de nossa resposta climática se encontra um extraordinário motor de criação de empregos e oportunidades econômicas pronto para ser acionado. É por isso que propus um grande investimento em infraestrutura americana e inovação americana, para aproveitar a oportunidade econômica que a mudança climática apresenta aos nossos trabalhadores e nossas comunidades, especialmente àqueles que muitas vezes foram deixados de fora e deixados para trás.

Eu gostaria de construir - eu quero construir - uma infraestrutura fundamental para produzir e implantar tecnologia limpa - tanto aquelas que podemos aproveitar hoje quanto aquelas que inventaremos amanhã.

Conversei com os especialistas e vejo o potencial para um futuro mais próspero e justo. Os sinais são inconfundíveis. A ciência é inegável. Mas o custo da inação é imenso - e continua aumentando.

Os Estados Unidos não estão esperando. Estamos decidindo agir - não apenas nosso governo federal, mas nossas cidades e nossos estados em todo o país; pequenas empresas, grandes empresas, grandes corporações; trabalhadores americanos de todos os campos.

Vejo a oportunidade de criar milhões de empregos de classe média, sindicalizados e bem remunerados.

Vejo trabalhadores instalando milhares de quilômetros de linhas de transmissão para uma rede limpa, moderna e resiliente.

Vejo trabalhadores desativando centenas de milhares de poços de petróleo e gás abandonados que precisam ser limpos e minas de carvão abandonadas que precisam ser recuperadas, acabando com os vazamentos de metano e protegendo a saúde de nossas comunidades.

Vejo trabalhadores da indústria automobilística construindo a próxima geração de veículos elétricos e eletricistas instalando em todo o país 500 mil estações de recarga ao longo de nossas rodovias.

Vejo engenheiros e trabalhadores da construção civil construindo novas usinas de captura de carbono e fábricas de hidrogênio verde para forjar aço e cimento mais limpos e produzir energia limpa.

Vejo fazendeiros implantando ferramentas de ponta para transformar o solo de nosso país na próxima fronteira em inovação de carbono.

Ao fazer esses investimentos e colocar essas pessoas para trabalhar, os Estados Unidos se lançam no caminho para reduzir os gases do efeito estufa pela metade - pela metade até o final desta década. É para esse rumo que estamos caminhando como nação, e é isso que podemos fazer se agirmos para construir uma economia que não seja apenas mais próspera, mas também mais saudável, mais justa e mais limpa para todo o planeta.

Os senhores sabem, essas etapas colocarão os Estados Unidos em um caminho de economia de emissões líquidas zero até 2050. Mas a verdade é que os Estados Unidos representam menos de 15% das emissões mundiais. Nenhuma nação conseguirá resolver esta crise por conta própria - e sei que todos vocês entendem perfeitamente. Todos nós, todos nós - e particularmente aqueles de nós que representam as maiores economias do mundo - temos de dar um passo à frente.

Os senhores sabem, aqueles que agem e fazem investimentos ousados em seu povo e no futuro com energia limpa ganharão os bons empregos de amanhã e deixarão suas economias mais resistentes e competitivas.

Então, vamos entrar nessa corrida para ganhar um futuro mais sustentável do que temos agora; para superar esta crise que põe em risco a nossa existência. Sabemos como isso é extremamente importante porque os cientistas nos dizem que esta é a década decisiva. Esta é a década em que devemos tomar decisões que evitarão as piores consequências da crise climática. Precisamos tentar manter o aumento de temperatura da Terra abaixo de 1,5° C.

Os senhores sabem, o mundo além de 1,5 significa incêndios, inundações, secas, ondas de calor e furacões mais frequentes e intensos que vão devastar comunidades, destruir vidas e meios de subsistência, provocar impactos cada vez mais terríveis para a nossa saúde pública.

É inegável e indiscutível - os senhores sabem que realidade que virá se não nos agirmos. Não podemos nos resignar com esse futuro. Temos de agir, todos nós.

E esta cúpula é nosso primeiro passo na estrada que queremos trilhar juntos - se Deus quiser, todos nós - até Glasgow em novembro e a Conferência do Clima da ONU - a Conferência das Mudanças Climáticas - para colocar nosso mundo no caminho de um futuro seguro, próspero e sustentável. A saúde das comunidades de todo o mundo depende disso. O bem-estar dos nossos trabalhadores depende disso. A força de nossas economias depende disso.

Os países que tomarem medidas decisivas agora para criar as indústrias do futuro serão aqueles que colherão os benefícios econômicos do boom de energia limpa que está por vir.

Os senhores sabem, estamos aqui nesta cúpula para debater como cada um de nós, como cada país pode definir ambições climáticas mais elevadas - as quais, por sua vez, criarão empregos bem remunerados, promoverão tecnologias inovadoras e ajudarão os países vulneráveis a se adaptarem aos impactos do clima.

Precisamos agir. Precisamos agir rapidamente para enfrentar esses desafios. Os passos dados por nossos países entre hoje e Glasgow irão preparar o mundo para o sucesso na proteção de meios de subsistência em todo o mundo e manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ° C. Precisamos tomar esse caminho agora.

Se fizermos isso, respiraremos com mais facilidade, literal e figurativamente; criaremos bons empregos aqui em casa para milhões de americanos; e estabeleceremos uma base sólida para o crescimento no futuro. E este também pode ser o objetivo de vocês. Trata-se de um imperativo moral, um imperativo econômico, um momento de perigo, mas também um momento de possibilidades extraordinárias.

O tempo é curto, mas acredito que podemos fazer tudo isso. E acredito que vamos fazer tudo isso.

Obrigado por fazerem parte desta cúpula. Obrigado pelas comunidades a que pertencem e pelos compromissos que assumiram. Deus abençoe todos vocês.

E estou ansioso para ver o progresso que podemos construir juntos - hoje e no futuro. Realmente não temos escolha. Temos de fazer isso./TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU 

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