Marcos Correa/PR
Marcos Correa/PR

Discurso de Bolsonaro na cúpula do clima repercute positivamente, mas não tem impacto no mercado

Presidente da Fiesp disse que presidente mostrou-se 'alinhado às preocupações globais' e 'aberto ao diálogo'; CEO da Amcham considerou discurso 'construtivo', mas cobra planos de execução 'detalhados e factíveis'; políticos também comentaram

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2021 | 18h40

O primeiro dia da cúpula do clima foi apenas monitorado e não teve impacto no mercado, nem no exterior nem no Brasil, ainda que o discurso do presidente Jair Bolsonaro tenha sido considerado positivo. 

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, avaliou o discurso como "extremamente positivo". "Em sua fala, mostrou-se alinhado às preocupações globais, aberto ao diálogo e à cooperação internacional", disse Skaf, em comunicado oficial. “ O discurso do Presidente Bolsonaro reafirma a posição do Brasil como potência agroambiental e que terá protagonismo nas discussões globais que se manterão ao longo do ano, com vistas à COP de Glasgow.” Na última terça-feira, 20, Skaf promoveu um encontro virtual entre Bolsonaro e empresários, a fim de aproximar o mandatário da elite econômica do País.

Para a CEO da Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), Deborah Vieitas, o discurso foi “construtivo”e  as sinalizações foram “na direção correta”. “É preciso, no entanto, que os compromissos assumidos sejam acompanhados de planos de execução detalhados e factíveis, bem como de resultados concretos em termos de redução de desmatamento, queimadas e degradação ambiental ainda neste ano", afirmou. A Amcham anunciou nesta quinta-feira, 22, um movimento de 49 empresas propostas a investir 12,7 bilhões em ações e projetos de preservação ambiental no Brasil.

Anteriormente, o diretor da Wagner Investimentos, José Raymundo Faria Júnior, afirmou ao Estadão/Broadcast que o discurso de Bolsonaro era monitorado, mas sem impacto significativo no mercado de câmbio. 

O enviado especial dos Estados Unidos para questões climáticas, John Kerry, afirmou que os comentários do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima nesta quinta-feira foram "muito bons" e o surpreenderam. Durante uma coletiva de imprensa da Casa Branca, o conselheiro de Joe Biden também disse que o discurso do mandatário da Rússia, Vladimir Putin, foi "bastante racional".

Aliada de Jair Bolsonaro, a presidente da Comissão  do Meio Ambiente na Câmara, deputada Carla Zambelli (PSL-SP), foi na contramão das críticas de ambientalistas sobre a participação brasileira na Cúpula do Clima nesta quinta-feira, 22. "Grande sinalização de compromisso com o meio ambiente, desmatamento ilegal para 2030 e a grande novidade foi a antecipação de 2060 para 2050 da neutralização de carbono", disse Zambelli ao Estadão/Broadcast.

A presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), classificou o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula do  Clima como uma intervenção "positiva". A senadora ressaltou, porém, que a meta de zerar o desmatamento ilegal no País pode ser reduzida para 2025, cinco anos a menos do que o citado pelo chefe  do Planalto na declaração. Kátia Abreu afirmou que deve apresentar um projeto de lei nesse sentido para votação no Senado.

A coordenadora do Conselho Indígena de Roraima, Sinéia do Vale, criticou durante participação na cúpula a postura da administração  do presidente Jair Bolsonaro na pauta sustentável. "Infelizmente, as políticas do governo federal para questões ambientais estão paradas", disse. Ela ainda defendeu as áreas indígenas na Amazônia atuam como barreiras ao desmatamento da Amazônia.

No evento virtual promovido pelo governo americano, Bolsonaro disse que ouviu o pedido de Biden para adoção de medidas mais firmes de preservação ambiental e se comprometeu a alcançar a neutralidade climática no Brasil até 2050.

Para isso, o líder brasileiro prometeu eliminar o desmatamento ilegal no País até 2030. Ele também voltou a pedir ajuda financeira internacional para a preservação ambiental no Brasil. O chefe do Palácio do Planalto já havia feito a cobrança em carta enviada a Biden na semana passada.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.