Discurso de Bush entusiasma tropas americanas no Kuwait

As tropas americanas estacionadas no deserto do Kuwait, perto da fronteira sul iraquiana, cuidavam hoje dos últimos preparativos para lançar um ataque contra o Iraque em meio ao entusiasmo provocado pelo discurso do presidente dos EUA, George W. Bush. Os soldados reunidos no acampamento batizado de Campo Grizzly se levantaram às 5 horas (locais) para ouvir o discurso de Bush."Enfim, vamos a algum lugar. Vamos à guerra", comemorou o sargento Robert Vennebush, de 25 anos, membro de uma unidade de engenharia do Exército. "Estou feliz em saber que isso vai começar e poderemos terminar nossa tarefa em breve", disse a cabo Sophina Burnside, de 22 anos, do Arizona.Esse sentimento era compartilhado pelos demais companheiros de sua unidade de apoio logístico, acampada nas areias do Kuwait desde janeiro.Hoje mesmo, várias unidades americanas, como a 3ª Divisão de Infantaria, começavam a desmontar parcialmente seus acampamentos, enquanto caminhões carregados de material se moviam para destino desconhecido. Os oficiais da unidade se negaram a dar detalhes da operação enquanto as lonas eram retiradas. O único comentário, feito pelo comandante da brigada, o coronel Will Grimsley, era de que reinava "uma atmosfera de antecipação" na Unidade.Funcionários do Departamento de Defesa dos EUA e analistas militares independentes disseram hoje que um dos primeiros objetivos de um assalto por terra deve ser a cidade iraquiana de Basra, a pouco mais de 60 quilômetros da fronteira kuwaitiana. "Algumas trincheiras cavadas no sul poderiam ser facilmente transpostas", disse um oficial americano. "Ali, eles (os iraquianos) não poderiam fazer muito mais do que explodir seus poços de petróleo e nos acusar por isso."Os analistas apostam que a tática iraquiana será a de concentrar suas tropas na capital, Bagdá, para tentar prolongar o conflito resistindo em uma guerra nas ruas da cidade.No Pentágono, um oficial confirmou ao jornal The Washington Post que os militares dos EUA estavam tentando negociar "acordos de capitulação" com comandantes iraquianos. Por esses acordos, as tropas iraquianas deporiam suas armas e retornariam a seus quartéis em lugar de serem tomados como prisioneiros de guerra.Para ajudar a convencer os generais iraquianos a se render, os EUA estão bombardeando as unidades militares do sul do Iraque com panfletos, mensagens de rádio e e-mails exortando os soldados a não resistir a um avanço das tropas americanas e britânicas. De acordo com um funcionário americano, há indicações de que a campanha de intimidação tem obtido algum sucesso. "Os sinais são muito escassos, mas eu diria que eles são positivos", disse.Estima-se que o ataque contra o Iraque terá início com o lançamento, por 24 horas, de cerca de 3 mil bombas inteligentes e mísseis contra dezenas de alvos militares iraquianos. Após o intenso bombardeio, que deve reduzir ainda mais a capacidade de defesa do Iraque, cerca de 280 mil soldados americanos e britânicos que estão na região devem dar início ao avanço por terra na direção de Bagdá, apoiados por tanques e helicópteros de assalto.

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