Discurso de Bush não incluirá ultimato a Saddam, diz jornal

O discurso anual sobre o Estado da União que o presidente George W. Bush pronunciará amanhã à noite no Congresso, não deve incluir nem um ultimato para o Iraque nem o anúncio de um cronograma para a guerra, informou o jornal The Washington Post em sua edição desta segunda-feira.Porém, ele tentará convencer os céticos de todo o mundo queSaddam Hussein é um perigo iminente para a paz, anteciparamfuncionários da administração Bush à publicaçãonorte-americana.Um funcionário graduado de Washington adiantou ao jornal que amenção de Bush sobre o Iraque não conterá "nenhuma revelaçãoque faça saltar os olhos"."A parte iraquiana do discurso será informativa e altamenteeducativa, mas não será a última palavra (sobre o tema)",afirmou o funcionário. "Ela consistirá de uma discussão públicasobre por que o presidente sente que a paz está ameaçada pelaimportante questão das armas de destruição em massa de SaddamHussein."Antes de tratar do Iraque e de outras questões de segurança,Bush dedicará a primeira metade dos 50 minutos do discurso paramostrar a preocupação da administração com a economia e osistema público de assistência médica.Bush planeja declarar-se otimista sobre essas questões eanunciará que a nação está "à altura do desafio", segundo odiretor de comunicação da Casa Branca, Dan Bartlett.Funcionários acreditam que o discurso será crucial no esforçode Bush de recapturar a simpatia dos eleitores, no momento emque começa a se dirigir formalmente à campanha pela reeleição,informou o Post.Sobre o Iraque, os assessores disseram que Bush planeja manterabertas suas opções depois de os inspetores de armas das NaçõesUnidas terem apresentado o resultado de seu trabalho no Iraque.Bush espera ganhar tempo, ante a resistência de potenciaisaliados, o aumento do ceticismo entre os norte-americanos e aopinião de oficiais e analistas de defesa de que a força militarnecessária para uma invasão não estará a postos até o fim defevereiro ou o início de março.Segundo disseram funcionários ao jornal, o discurso de Bushnão incluirá novas evidências sobre possíveis estoques de armasnucleares, químicas ou biológicas do Iraque - ou provas daligação de Saddam com a rede extremista Al-Qaeda ou os ataquesde 11 de setembro de 2001. "Esse não é um lugar para umademonstração de slides", declarou Bartlett.Outro funcionário, reafirmando a contenção da administraçãoBush em espalhar as provas contra Saddam, disse ao TheWashington Post que o discurso do presidente "não precisaconvencer ninguém que o Iraque não fez o que prometeu fazer"."Ele precisa apenas convencer as pessoas sobre quais podem seras conseqüências disso."

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