Discurso de Lula na ONU será centrado na crise econômica, diz assessor

Marco Aurélio Garcia diz que situação em Honduras 'será evocada de passagem'.

Camila Viegas-Lee, BBC

23 de setembro de 2009 | 07h42

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre, nesta quarta-feira, a Assembleia Geral das Nações Unidas com um discurso centrado na crise econômica, informou o assessor para assuntos especiais Marco Aurélio Garcia.

O discurso - que deve durar aproximadamente 15 minutos - abordará três grandes questões: a crise, a governança mundial e as mudanças climáticas.

O assessor afirmou ainda que a situação em Honduras será "evocada de passagem" pelo presidente.

"Ele vai mencionar Honduras assim como vai mencionar o embargo contra Cuba - que é um anacronismo das relações internacionais", afirmou.

Sobre a crise econômica, Lula deve antecipar algumas das questões que ele vai expor de forma mais evidente na reunião do G20 em Pittsburgh daqui a dois dias.

De acordo com ele, o presidente deve falar de "como no ano passado estávamos no limiar de uma crise econômica, fazer um balanço de como (a crise) avançou nesse período, o que foi positivo na iniciativa dos governos, e o que resta a fazer".

Política externa

Garcia afirmou ainda que a segunda questão que Lula deve tratar no discurso de abertura é a governança mundial, até porque, segundo ele, está ligada ao assunto da crise econômica.

"Nós acreditamos que os organismos saídos de Breton Woods Fundo Monetário, Banco Mundial, estão efetivamente com um sistema de representação de países emergentes muito deficiente e, portanto é preciso que corrigir isso", disse Garcia.

"Ao mesmo tempo também nos acreditamos que não só os organismos multilaterais que se debruçam sobre a questão econômica, mas também aqueles que se debruçam sobre os temas políticos estão carentes de representatividade", afirmou o assessor.

De acordo com ele, Lula deve voltar a temas que são recorrentes no discurso da política externa brasileira, como a mudança das Nações Unidas para torná-la mais representativa, mudanças no Conselho de Segurança e uma maior representatividade do Conselho Econômico Social (o Ecosoc), para que o organismo possa se voltar mais à discussão dos temas relacionados com a crise.

Mudanças climáticas

Garcia antecipou que o último tema que vai ocupar a intervenção do presidente são as mudanças climáticas.

Segundo o assessor, Lula deve reiterar as posições já conhecidas do Brasil e também antecipar as preocupações que o governo brasileiro levará a reunião de Copenhague, em novembro.

De Nova York, o presidente Lula deve partir para Pittsburgh, onde participará da Cúpula do G20.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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