Discurso de Mubarak enfurece manifestantes no Cairo

Manifestantes reunidos na Praça Tahrir, no centro do Cairo, ficaram enfurecidos com o discurso à nação proferido na noite de hoje pelo presidente do Egito, Hosni Mubarak. No pronunciamento, Mubarak anunciou que delegaria poderes ao vice-presidente Omar Suleiman, mas que não renunciaria ao cargo de presidente do país, frustrando as expectativas da multidão reunida na praça.

ANDRÉ LACHINI E RICARDO GOZZI, Agência Estado

10 de fevereiro de 2011 | 20h08

Muitos dos manifestantes conclamavam o Exército a se unir ao povo na revolta. Centenas de pessoas tiraram os sapatos e os atiraram no telão que transmitiu ao vivo o pronunciamento de Mubarak. Atirar os sapatos é considerado um grave insulto nos países árabes. "Derrubem Mubarak", gritavam alguns participantes. Outros defendiam uma greve geral e exigiam que o Exército participasse de um levante contra o regime: "Militares, a escolha é agora: o regime ou o povo!"

Antes do discurso, a atmosfera na praça era festiva em meio à expectativa de que Mubarak pudesse renunciar à presidência. Dezenas de milhares de pessoas estavam reunidas no momento do discurso. "Nem Mubarak nem Suleiman", entoaram manifestantes, depois de Mubarak ter dito que poderes seriam delegados ao vice-presidente.

"Omar Suleiman e Mubarak são farinha do mesmo saco. São as duas faces da mesma moeda. Nossa exigência é que ele (Mubarak) vá embora. Se ele não for, vou eu", disse o manifestante Rahman Gamal, de 30 anos, funcionário de um supermercado local.

Milhares de manifestantes estão acampados na Praça Tahrir desde a última semana de janeiro. Eles exigem reformas democráticas, o fim do estado de emergência em vigor há 30 anos e o fim do regime liderado por Mubarak.

Constituição

Em seu discurso, o presidente do Egito, além de delegar poderes a seu vice-presidente, ordenou a elaboração de emendas à Constituição do país. Com isso, Mubarak retém o status de presidente e garante ao regime controle sobre o processo de reformas.

Mubarak informou ter recorrido a um dispositivo constitucional que permite ao presidente transferir poderes quando este encontra-se "temporariamente" impossibilitado de exercer suas funções, mas sem que isso signifique renúncia ao cargo. Com isso, Mubarak reforçou em seu discurso que continuará sendo o presidente do país até que um líder eleito esteja apto a assumir. As eleições no Egito são esperadas para setembro. As informações são da Dow Jones.

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