Discurso de Obama dá impulso à campanha

Partidários de senador esperavam por resposta vigorosa a críticas de McCain para tirar candidato da defensiva

Dan Balz, The Washington Post, Denver, EUA, O Estadao de S.Paulo

30 de agosto de 2008 | 00h00

O discurso de aceitação da indicação democrata para a candidatura à presidência feito por Barack Obama na quinta-feira foi exatamente o que muitos democratas nervosos estavam esperando: um desafio vigoroso a John McCain e aos republicanos e a reafirmação da mensagem que o impulsionou à candidatura, pedindo por mudanças em Washington e no país. Falando a uma nação envolvida em duas guerras, enfrentando uma economia enfraquecida e cada vez mais insegura a respeito do futuro, Obama disse que converteria a campanha numa escolha entre a continuidade dos últimos oito anos de administração republicana e uma nova direção em busca do fim do conflito no Iraque e de uma redução das incertezas econômicas das famílias trabalhadoras. A crítica a McCain foi o fio condutor de todo o discurso. Durante o último mês, Obama esteve sob ataque por parte do seu rival e dos republicanos. Na noite de quinta-feira, ele respondeu.McCain havia acusado Obama de não ter experiência para proteger o país. "Se John McCain quer realizar um debate sobre quem tem o temperamento, e a capacidade de julgamento, para servir como o próximo comandante-chefe, eis um debate do qual eu estou disposto a participar", declarou Obama. McCain e os republicanos zombaram dele, caracterizando-o como uma celebridade vazia e apaixonada pelo som da própria voz, um elitista arrogante que pouco se importa com os americanos médios. Em resposta, Obama citou a vida de sua mãe, que em certo ponto teve de recorrer a cupons alimentícios para se sustentar; de sua avó, que ascendeu desde o cargo de secretária até o de gerente-assistente; e a do avô, que combateu no Exército do general George S. Patton.Para aqueles que questionaram o seu patriotismo, ele reprisou uma das frases mais lembradas do seu discurso programático feito na Convenção Democrata de Boston, quatro anos atrás, dizendo que os homens e mulheres que lutaram e morreram pelo país podem ter pertencido a partidos diferentes, mas todos morreram sob a mesma bandeira. "Eles não serviram a uma América vermelha ou a uma América azul - eles serviram aos Estados Unidos da América", disse ele. "Então eu tenho novidades para você, John McCain: todos nós colocamos o nosso país em primeiro lugar." Na quinta-feira, o verdadeiro público que Obama tentava atingir não era a platéia - estimada em mais de 84 mil pessoas - do estádio de futebol americano de Ivesco Field. Sua tarefa era acabar com dúvidas a respeito de sua candidatura e estabelecer uma conexão com os eleitores indecisos.O retrato que ele pintou de McCain foi o de um homem que serviu ao seu país com nobreza, mas não tem dimensão da realidade das famílias em dificuldade e é tão próximo ao presidente George W. Bush como um gêmeo siamês em termos de política interna e externa. "McCain votou apoiando Bush em 90% das vezes", disse ele. "O senador McCain gosta de falar sobre capacidade de julgamento, mas, sejamos francos, o que dizer a respeito da sua capacidade de julgamento quando você acha que Bush esteve certo em 90% dos casos?" Outra parte do discurso lidava com as críticas que Obama recebeu por ter supostamente feito os seus pronunciamentos sobre mudança num nível tão altivo que acabou deixando muitos americanos imaginando o que ele afinal faria enquanto presidente para mudar as suas vidas. "Deixem-me demonstrar exatamente o que significará esta mudança se eu me tornar presidente", disse ele. Seguiu-se uma longa lista de receitas políticas. Redução de impostos para 95% das famílias trabalhadoras, o fim da dependência do petróleo estrangeiro em dez anos e melhoria nos sistemas de educação e saúde.PROMESSAS DE OBAMAPetróleo - Acabar com a dependência do petróleo do Oriente Médio, em dez anosEnergia - Investir em fontes de energia renováveis e criar um fórum mundial sobre o assunto, com a participação de Brasil, México e países do G-8 Carga tributária - Cortar impostos de 95% dos trabalhadores e cobrar mais tributos de empresas que exportam empregoGuerra ao terror - Retirar "responsavelmente" as tropas americanas do Iraque e aumentar o contingente dos EUA no Afeganistão, para "terminar a luta contra a Al-Qaeda e o Taleban"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.